Suponho que vida de estátua seja complicada. Por várias razões e também por tornar difícil ver o Sete Palmos de Terra. Por outro lado, terá as suas vantagens, como viver muitos anos, passar o dia a mirar as babes que passam, e jamais ter de fazer a cama.
Eis o que me ocorre enquanto bato uma sorna no carro, porque ainda é cedo para picar o ponto, e olha, sempre há a mantinha de piquenique no banco de trás, que dá o seu jeito nestas manhãs frias. Mas - entretanto desperto porque alguém tossica justamente quando passa junto à minha janela – e se tivesse eu de escolher ser uma estátua de Lisboa, um dia que fosse, que estátua seria?!
Difícil. Mas rapidamente decido que estátuas não quereria ser. Desde logo, nenhuma daquelas do Estádio Univeristário, de tanga posta e rabo virado para a lua, coisa que no dizer popular até é sinal de sorte, mas, amigos, prefiro tentar o meu azar... Estátua de repuxo de um pequeno parque da cidade também está fora de questão, porque muitas vezes há passarinhos ali à volta, e daí até ter caganitas de pombo ressequidas na testa é um passo.
Pensei em ser o Marquês da Pombal, sobranceiro à baixa, mirando o rio, costas voltadas às doideiras do Parque. Pensei em ser o Duque de Saldanha, autoritário e constantemente rodeado de mulheres bonitas, que esta deve ser a zona da cidade onde mais as há. Ainda assim, são personagens de exagerada responsabilidade... Sim, definitivamente.
Definitivamente, a ser estátua, seria o Fernando Pessoa!
Tranquilo e pensativo, sentado na esplandada da Brasileira... O dia todo na esplanada. Sentado. Volta e meia uma turista no colo, a pousar para a fotografia. O Bairro Alto justo atrás.
E ao fim do dia,
Inspirado, quem sabe,
Que verso da minha pena sairia?
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
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2 comentários:
Parece aquele jogo que jogava quando era puto. O "e se fosse?". Se me perguntassem quem serias se fosses uma estátua diria o D. Pedro na Baixa a mirar as turistas, a ouvir as óperas do D. Carlos, a estudar os comportamentos consumistas dos alfacinhas na Rua Augusta, a admirar de soslaio o elevador e o Bairro Alto e sempre à espera do comboio que tarda a voltar à estação do Rossio para te levar para a tua terrinha.
Sim, e teria 28 metros de altura, o que bate certo.
Descobri aqui num site que na praça D. Pedro IV (Rossio) corria antigamente o rio Valverde. As coisas que descobrimos sobre as origens dos nossos amigos!
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