domingo, junho 08, 2008

Rescaldo da Vida de um Expatriado

Com ausência prolongada do nosso país esqueçemos por vezes que existem outras formas de comunicação. Aproveito esta para vos mostrar um pouco do que foi a minha vida por terra romenas até então.

Foi em Setembro e Outubro a altura das primeiras viagens á Roménia, tendo sito Novembro a data da minha chegada para ficar.

Deixo-vos a primeira impressão que qualquer pessoa tem de Bucareste:




Edificios interessantes perto da rua do escritório no centro historico da cidade.






A Casa do Povo como é designada pelos romenos. Um palácio construido no tempo do ditador Ceaucescu que é não menos que o segundo maior edifício administrativo do Mundo e cuja construção perdurou após o seu fuzilamento.







A Casa do Povo expatriado e da classe alta romena de Bucarest o famoso Bamboo, que como eu digo são 3000 m2 com 2000 mulheres das quais 3 ou 4 não vale a pena olhar (são as turistas). Depois deste sitio é impossível voltar a uma discoteca portuguesa e não ficar deprimido.



Mas para quem pense que a vida tem sido fácil posso dizer que só após 4 meses aqui consegui tirar fotos sem ser de dentro do carro. Para uma empresa que facturava 15 M € a estrutura de gestão foi aumentada para 3 pessoas em Outubro com a minha chegada e a de outro colega. Mesmo assim após poucas semanas na Roménia já se tirou algumas hilações que resumem muito do que é este país:


  • Em Portugal temos os melhores construtores civis do Mundo, senão vejam fotos de um dos melhores elevadores daqui:



  • Em Portugal é que se anda de carroça (Em Bucareste vejo a qualquer hora BMW X5, Touareg, Porshes, Ferraris, Hummer, Mustang, Bentley, etc, etc, etc); Curiosidade. aqui um Audi Q7 custa 50 mil € e é considerado o carro dos ciganos.

  • As mulheres bonitas portugesas perderiam-se de vista no meio das resmas, paletes, tonelas, montes de mulheres romenas na noite. Bucareste é o paraíso dos expatriados solteiros.

  • O trânsito é caótico. se não querem demorar uma hora a fazer 200 mts de carro é bom que saiam antes das 7 de casa. Os romenos são os piores condutores mundiais.

Lá para Janeiro a malta foi mudar de ares para uma cidade pacata mais a Sul: Calarasi. A capital dos ciganos, local estratégico onde dias antes do Natal de 2007 foi adquirido o terreno para a fábrica com um negócio fechado á última da hora onde arrisquei não passar o Natal em Portugal por falta de voos e atrasos no envio do dinheiro para aquisição dos terrenos. Entre ameaças de morte, dias sozinho com - 20 negativos no meio da neve de uma cidade só com ciganos e sem falar romeno o negócio lá se fechou.


Inicio do ano, reunião de arranque do projecto com equipa reforçada vinda da PT e PLN com as primeiras impressões dos colegas após primeira semana a viver em Calarasi: "Tou Eng., mande-me de volta que já não aguento. Estou mais cansado desta semana do que o ano que tive na PLN". A malta após algum esforçe de integração lá foi atinando e agora até já não diz tanta vez que isto é o fim do mundo. Afinal porque o diriam?! É que Calarasi já tem:


  • 5 restautantes
  • um cinema fechado
  • 2 relvados sintécticos de F 5
  • 1 bar
  • 1 hotel de 3 estrelas
  • uma discoteca com piscina que abriu agora no Verão.

O que é que a malta quer mais?!



Uma coisa é certa, agora que a equipa já está a ficar oleada e após 7 meses, sem fins de semana ou domingos, com noitadas em cima praticamente todos os dias da semana contabilizo para cima das 2500 horas de trabalho e mais 200 horas de TLM, muitas vezes a rejeitar chamadas de amigos, família e namorada porque estava já de noite a trabalhar ou porque estava cansado demais para atender o telefone. Agora já tenho Domingos, já escrevo na net e já respondo a e-mails pessoais.


Para trás ficam cenários como este que tenho bem documentados na pasta as minhas imagens para um dia mostrar aos meus filhos:





Se em Calarasi o cenário tipico são carroças em Bucarest a malta anda de carro nos passeios ou nos carris do comboio.




Cenário de guerra na altura da reconstrução, onde chuvia literalmente mais dentro do que fora das instalações.









As fotos que me fizeram sentir os primeiros indicios de missão cumprida, com o nosso soldador estrela que fuma ao mesmo tempo que solda, ou o cão da primeira empresa de segurança que não nos rouba, ou a malta do escritório a ficar com indícios de organização ou a fábrica a ganhar a imagem da empresa.


Posso dizer que aqui passei pelo pior, fui ameaçado de morte vezes suficientes para deixar de pensar nisso, fui seguido por carros mais que muitas vezes, cortaram-me o pneu do carro. Muitas vezes só aguentei porque não havia mais ninguém para fazer o trabalho, muitas mas muitas vezes pensei em ir-me embora, deixei de ter vida pessoal, emagreci 10 kilos desde que cá estou, aprendi a falar romeno sozinho, aprendi a gerir uma empresa sozinho, aprendi o que custa despedir pessoas com mais anos de casa do que eu de trabalho, ganhei uma frieza que me surpreende a mim próprio e muito mais coisas dificeis porque passei que a maior parte do pessoal da FEUNL nunca pensou que existia.
No meio de tudo posso dizer que tive o prazer de trabahar com aquela que sempre foi e será a espinha dorsal da MTC Roménia: JR (aprendi muito sobre a vida com este aqui), JC (aprendi a ter capacidade de sacrificio), AP (ainda não percebo como se pode dormir 3 horas dia) com uma média de idades de 26 anos mas onde confesso que apendi tanto com os de 30 como coms os de 23. Foi com esta equipa que a minha vida profissional se misturou com a pessoal poque aqui é tudo a mesma coisa nesta familia. Orgulho-me de com estes ter trabalhado e tudo o que passámos e ainda passamos, para que este ano a empresa chegue aos 50 M € seja a 2ª maior do Grupo gerida por uma equipa da qual diria o seguinte:
Nunca duvidem do que um grupo motivado de cachopos, de topo em cada das suas áreas profissionais, pode fazer.

O Grande telefonou-me a semana passada a perguntar se me dava bem "com climas tropicais"- Já foi o segundo tlf deste género desde que vim para a Roménia. Parece que desta é que deve ser. Se calhar ainda faço uma visita de meses a um deste grupo de economistas se bem que uma das coisa que aprendi na MT é que não vale a pena pensar muito no amanhã, um espirito que provavelmente levarei comigo para onde quer que vá ou por qualquer empresa representarei.