Hoje é daqueles dias em que tudo me aborrece. Aborrece-me ter que vir trabalhar, aborrece-me estar de chuva, aborrece-me estar de fato, ..., aborrece-me estar aborrecido, bolas!
Mas se há coisa que me aborrece especialmente todos os dias é ouvir a RFM. Não que tenha algo de errado alguém ouvir a RFM, mas bolas, porque é que me têm que obrigar a tal também?
Acontece que esta semana estou numa empresa que presenteia os seus funcionários com colunas e um rádio sempre a tocar. Pena é que esteja sempre na dita rádio. Na última hora, já fui congratulado com umas quantas músicas que me fariam imenso sentido na década passada, mas que hoje só fazem aqui e ali. O pior disto tudo é que sei, pela má experiência que tenho com a RFM, a playlist vai voltar a repetir-se, e os êxitos pop dos 90s, misturados com o pior do pop desta década vai-se fazer ouvir novamente. Tudo isto intercalado com um "Só grandes músicas". Percebo agora porque é que todos os funcionários usam phones no trabalho... mas como é que o DJ não entende...??
Digam o que disserem, acho que faz falta a divulgação de música a nível nacional. E acho que não chega a divulgação que a rádio faz, as quais representam preferências dos "artistas da rádio" e as preferências dos tops estrangeiros. E acho que não chega haver lojas onde se pode ouvir os CDs que se quer, pois o que não se conhece, não se pode pedir para ouvir. Acho que faz falta haver mais bandas a produzirem samplers de música para dar a conhecer, acho que faz falta a todos e a cada um ter amigo super-culto musicalmente e que organiza concertos fixes, acho que faz falta a política económica chegar ao mercado da música, acho que faz falta haver menos direitos a pagar a discográficas (especialmente internacionais), mas sobretudo acho que faz falta incentivar e deixar escolher o que é bom e não é bom desde pequenos.
Tive dois anos de Educação Musical na escola, mas acho que hoje seria mais feliz se em vez de saber o que são claves de Sol e Dó, tivesse um maior horizonte musical, me tivessem dado educação musical nos clássicos e nos contemporâneos, me ensinassem o que é Rock, Folk, Rap, etc etc etc, e assim quem quisessem ouvir a RFM, a Cidade ou a MegaFM fá-lo-ia porque sabe o que é o mundo lá fora e prefere aquilo.
Por mim, vou continuar a preferir explorar o mundo lá fora...
5 comentários:
Revolta-me a questão dos preços da música! E é uma questão económica que confesso não perceber... Como é que, mesmo após o crescimento da internet, os CD's têm preços tão altos?!
Quanto à divulgação, talvez seja optimista da minha parte, mas penso que cada vez há mais. E acho que o ensino da música deve ser facultativo, por se tratar de uma questão de gostos.
Sobre a RFM... vais ouvir muito André Sardet. Mas sempre é melhor do que o vídeo. Porque é que o gajo está sempre a rir-se enquanto canta?! É desconcertante...
Mas isso não me parece fazer muito sentido. Não há assim tanta gente que é obrigada a comprar originais (rádios, bares, etc.).
Só pode ser falta de concorrência.
Acho que vocês estão a discutir a questão da galinha e do ovo... Há coisas pirata porque os originais são caros, ou os originais são caros para compensar os pirata? Parece-me que um pouco de cada. Mas se pensarmos, nos casos do software, não sei como eram os preços antes dos piratas (se é que houve).
Nos CDs, deveríamos ter hoje desvalorizações brutais dos mesmos, devido à internet, devido ao maior nº de CDs que saem por dia (e logo maior concorrência), devido ao processo de produção ter sofrido melhoras - contrariamente aos preços, e não me digam que é "inflação" sff -, etc etc.
Acho que o caso dos CDs é diferente do software, pois como o Caixa bem disse, os supostos compradores forçados dos originais são bem menos, enquanto que licenças de software são muitos.
Achas que há mais porque tens acesso a ela, mas pensa na quantidade de pessoas que não têm. E o acesso que tens é limitado...
Quanto ao irritante Sardet, lá está ele a cantar de novo...
A grande razão é que a grande maioria das discográficas e a sua bela associação o RIAA formam um cartel que tentou ao máximo manter os preços altos e percebeu tarde demais o efeito (e potencial) da internet.
Mesmo o tardio - mas agora bastante popular - aparecimento da loja do iTunes aconteceu a muito custo, e existe até uma cláusula no contrato da Apple com as editoras que, caso a ridícula protecção anti-cópia das músicas vendidas seja quebrada e não reparada em pouco tempo, autoriza as editoras a retirar toda a música que está à venda no site.
Também existe a questão da já referida divulgação, mas num aspecto diferente: com a internet as editoras dexam de ter o total - ou quase total - controlo sobre o que as pessoas ouviam, pois tinham grande influência nas playlists na rádio e televisão, abrindo o caminho para muitas editoras independentes.
A pirataria é simplesmente um belo bode "respiratório" (oh oh oh respiratório) para tentarem justificar os preços altos dos cds e a quebra nas vendas.
Quanto ao Sardet, acho que nunca o ouvi :P (não tenham ideias, senão passo a andar sempre com tampões para os ouvidos no bolso)
P.S.
http://www.apple.com/hotnews/thoughtsonmusic/
ya, o fisgas tem toda a razão. (tb já tinha visto isso do steve jobs)
quanto à educação musical eu sou da opinião do valverde, a escola devia dar uma visão global da evolução da música...ou seja, o terceiro período era consubstanciado com o livro da rolling stone "50 years of rock n roll" ehehe
quanto à musica e à divulgação as coisas andam a melhorar, o myspace e a internet em geral ajudam muito. quanto aos concertos - onde as bandas devem apostar - tb há cada vez mais... é só ver as duas digressões nacionais dos bunnyranch e x-wife anunciadas este mes.
é claro que as coisas vão dos gostos das pessoas, e se não formos curiosos não descobrimos as pequenas maravilhas q há por aí...
abraços e beijinhos e apareçam !
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