segunda-feira, fevereiro 12, 2007

E agora?

Ontem foi dia de eleições. Pena foi que mais de metade dos eleitores nacionais só se apercebeu porque tanto os “Morangos com Açucar” como a Floribela começaram mais tarde.

Há uns tempos falava com um imigrante, residente no nosso país há varias décadas, e dizia-me ele que o melhor e o pior de Portugal são os portugueses. Eu defendo-o: os Portugueses tanto dão provas de serem um país generoso e unido, lembro-me do cordão humano pela causa de Timor (a maior manifestação nacional desde o 1º de Maio de 1974) e dos festejos após as vitórias (e principalmente após as derrotas) da selecção nos grandes palcos do futebol mundial, como dão provas de ser um país sem gratidão nem memória por aqueles que se bateram por termos hoje uma democracia representativa.

Se muitos se congratulam porque neste referendo a abstenção diminuiu 12 pontos percentuais, o que demonstra o reforço da importância da instituição do referendo, na minha opinião o mais importante é observar que os Portugueses preferem não ter voz numa questão que é e será importante para a sociedade.

Acho que a resposta ao desinteresse não pode nem deve passar pela diminuição do nível mínimo a partir do qual o referendo se torna vinculativo, o que deve acontecer é a criação de medidas de reforço da educação cívica e da responsabilização para os deveres da democracia. E que melhor forma de começar que dando o exemplo? Os políticos deveriam estar acima de todas as suspeitas, os argumentos utilizados nas campanhas deverão ser cada vez menos sensacionalistas e cada vez mais fundamentados, e questões fulcrais para o desenvolvimento (ou melhor, para a sobrevivência) do país deverão ser matéria de acordo e compromisso por parte de vários partidos (Segurança social, reforma da administração pública...).

Permitam-me uma comparação desportiva. Hoje em dia (e com pena minha) a nossa democracia é como o meu Sporting. É necessário a equipa estar a ganhar para os adeptos começarem a gritar por ela. Quando estão a perder são os primeiros a começarem a assobiar.

Como todos sabemos o referendo não será vinculativo, contudo os políticos não podem ignorar a escolha de quase 60% dos votantes.

Finalmente, ao contrário do que dizia hoje um velhote no ginásio, em tom de brincadeira, espero que não se lembrem de fazer mais um referendo para desempatar.

1 comentário:

Cx disse...

Não compreendo...
Pessoalmente, faço questão e retiro um certo gozo de ir votar. Deixo o meu voto na caixa preta e eis que me sinto um cidadão exemplar, responsável e orgulhoso por ter um palavra a dizer!

Abstenção de 60% e, descontando doentes, emigrantes, mortos e os que simplesmente não puderam ir votar, chega-se talvez (aqui vai o bitaite) a 40% de abstencionistas intencionais.
Não compreendo...