segunda-feira, dezembro 11, 2006

Pedagogia

É actual dicutir-se os impactos que têm nas crianças alguns programas de televisão. O wrestling, por exemplo, tem sido sovado a torto e a direito, por psicólogos, pediatras, bloggers e até lutadores. Aconselha-se a leitura da opinião do companheiro, amigo, palhaço Alex.

Pessoalmente, não gosto do wrestling, mas vi o suficiente quando era puto para, na opinião de especialistas, aprender uma série de comportamentos violentos, que, aliás, gosto de praticar nos amigos católicos quando se me acabam os argumentos anti-religião.

Sobretudo acho que esta conversa já fede, de velhinha e decomposta que está, aplicada a tudo quanto é entertenimento infantil. No entanto, dois parágrafos e meios depois do título eis que surge o ponto do meu post, nunca se falou dos efeitos nocivos, prejudiciais e, tomo o atrevimento de escrever, maus! de programas como a Tertúlia Cor-de-Rosa da SIC ou as velhinhas do tricot na TVI.

Em ambos os casos, há personagens a debater roupa e actualidades da sociedade e das revistas cor-de-rosa. Que é como quem diz, a coscuvilhar. Por exemplo, sobre os rumores de que o Cristiano Ronaldo namora com a Diana Chaves, estes comentadores estão lá para contribuir com conversas do género:
- Eles namoram e acho muito bem. Vão ser felizes para sempre
- Nunca vai resultar porque o Cristiano ama de verdade é a Merche
- A Diana é muito inteligente e está bem para o Cristiano

Isto é mau, mas fico com a sensação que escolhi a mais elevada das conversas que esta trupe teve durante... sei lá... a vida toda! Não interessa... O que é espantoso é ninguém reflectir sobre as consequências destes programas! Sobre como alguns dos problemas da nossa sociedade (quadrilhice, desconfiança e tacanhez) são agravados com estas intervenções.

Agora imaginem duas coisas: primeiro, a quantidade de crianças em idade pré-escolar que fica em casa a ver estes programas, e segundo, essas mesmas crianças a formar um exército de adultos que daqui a 20 anos vai andar pelas ruas das nossas cidades a sussurar comentários sobre a roupa das pessoas que por elas passam, enquanto levam penduradas do pescoço as suas duas agulhas de tricot!

2 comentários:

Anónimo disse...

Já escrevi sobre isto, mas ainda me apetece falar um pouco mais.

Tento perceber os detractores do wrestling. O que os move? Não gostarem do espectáculo ou os efeitos nocivos sobre as crianças?

Em relação à primeira explicação penso que é um fenómeno característico de muitas pessoas que é a determinação em obrigar toda a Humanidade a gostar daquilo que "EU" gosto e portanto abominar tudo o resto. Destesto o wrestling portanto devia imediatamente ser eliminado para sempre.

Em relação à segunda, parece-me que é também a demonstração duma atitude muito portuguesa que deriva duma habilidade impar em encontrar culpados alheios para os erros próprios. Quanto mais abstracto e distante estiver esse culpado, tanto melhor. A televisão, os arbitros, a "sociedade", o "sistema", etc são sempre os alvos mais fáceis para colocar as culpas dos nossos falhanços.

Cx disse...

Penso que algumas dessas pessoas vivem em permanente desconfiança perante o que lhes é estranho.

O que é novo, o que é diferente, aquilo de que os jovens de hoje gostam mas não existia há 20 anos atrás é, à partida, mau.

Mas acho que em todo o lado, em qualquer período, sempre houve, há e haverá mentes demasiado conservadoras.