
Uma das piores coisas que podem acontecer quando se está quase a adormecer na desejada caminha é... Bom, acordar ao som dos gemidos carnais dos vizinhos também é chato. Mas eu ia referir-me a ouvir um zumbido de asas a baterem mesmo ao lado da orelha: zzzzzzzzzz!
Nestes casos, depois de aberta a pestana, o primeiro pensamento é sempre: quem foi o anormal que deixou a janela do meu quarto aberta durante o dia?! Ocorre-me a mim depois pensar que, para minha infelicidade, ou foi a minha mãe ou o meu pai, e controlo-me, motivado pelo respeito a esses geniais obreiros que me trouxeram ao mundo, prefiro eu ignorar como.
A minha fúria está entretanto em processo de reafectação para o mosquito. Pego no meu chinelo, ergo o sobrolho direito e murmuro "Let's go". Orgulho-me de, ao longo dos meus 24 anos de existência, ter aperfeiçoado a caça ao mosquito. Tanto, que ontem à noite não passaram 10 minutos desde o zumbido provocador até ter eu o bicho espremido na minha mão, uma patinha em cada dedo.
Para vós, leigos, aqui fica a partilha da minha ciência. Como sabem, os mosquitos escondem-se muitas vezes em sítios escuros, onde são mais difíceis de detectar, e costumam atacar quando está tudo sossegado e, por vezes, só no escuro, atraídos pelo dióxido de carbono da respiração, pelo calor do corpo ou pelo odor dos pés.
Assim, as melhores técnicas são:
1 - ficar erguido e quieto encostado a um móvel, munido de um chinelo, a respirar profundamente e com as luzes acesas, aguardando a aproximação do balrog
2 - deitar de barriga para o ar na cama, com uma mão no interruptor do candeeiro da mesa-de-cabeceira e a outra com um chinelo. Ao som do zumbido, acender o candeeiro e atacar como se não houvesse amanhã nem mobília no quarto
3 - ficar sentado na cama a ler, com o candeeiro de cabeceira aceso e esperar até ver uma sombra (sinal de que o mosquito está a passar entre vocês e o candeeiro) e dar uma de Walker Texas Ranger no mafarrico
4 - ir à tulha buscar as meias usadas nesse dia e depositá-las algures no quarto em sítio com visibilidade, na esperança de assim atrair o guloso até ao corredor da morte
No final da caçada, é importante arrancar as patas do bicho uma a uma. Há que dar o exemplo à comunidade pernilonga. E, acima de tudo, amem o chinelo...
11 comentários:
É preocupante a tua raiva a animais tão insignificantes. Estarás a transferir odios de estimação para os insectos? Algo a ver com um psicologo!
Quanto a como caçar um vampiro em miniatura, e diminuto poder, a tua estratégia é, como é geral, fraca. Tu preferes esperar quando deverias buscar-la. Não é como se ela se fosse esconder dentro de uma lata de bolas de tenis, ou atras de uma moldura. Basta procurares em todas as paredes e facilmente a encontrarás, a menos que tenhas pintado, por uma qualquer razão estranha, tenhas pintado o quarto de tons escuros.
Ainda assim esta engraçada e lirica a descrição!
Não estarás com demasiado trabalho???
hehehe
Que descrição mais pormenorizada....
Ó mestre da estratégia, ora toma lá exemplos de locais frequentes de esconderijo para mosquitos:
- partes de trás de molduras
- por baixo da cama
- partes de trás dos móveis
- sanefas de cortinados
- candeeiros de tecto
A experiência diz-me que a busca é normalmente complicada.
É trabalho, de facto. Mas alguém tem que o fazer.
A alternativa é passar a noite a ouvir zumbidos, enquanto se transpira escondido debaixo dos lençóis.
Não querendo estragar o teu contentamento de matador armado em Clint Eastwood, tenho a dizer-te que qualquer insecto que, aqui em casa, decide entrar janela adentro é infinitamente mais lerdo do que os sádicos predadores que habitam no Norte. Lá em cima é que se os heróis se fazem notar.
A prova cabal de como és um leigo na matéria é que te referes sempre a “mosquitos”, sabendo antemão que isso é das maiores ofensas que se pode fazer a uma melga. Até te deparares com uma Sra. Melga, cheia de truques e astúcia, nunca hás-de compreender como todas as restantes criaturas são alvos fáceis.
Mas fiquei feliz de saber que os mosquitos são atraídos pelo bedum do teu chulé... Aliás, depois do Nuno Markl ter resfriado a sua blogomania, é sempre bom constatar que haverá sempre gente com pés malcheirosos dispostos a partilhar as suas experiências metafísicas.
Acho que faz sentido serem as melgas mais ardilosas que os mosquitos.
Mas Tosttas, passa a lavar os pés quando estiveres no Norte e verás como tudo se simplifica para ti.
ahahahaha
Então elas escondem-se debaixo da cama...? Comico, no minimo.
Elas não vão para debaixo da cama, nem para tras de móveis, e muito menos para trás de molduras.
Dica: quando acendes a luz elas poisam no primeiro sitio que aparece. O instinto é parar para nao serem ouvidas, e pousar em locais escuros para serem confundidas. Não procurarem esconderijo....
Vejo que te custa admitir que uma melga possa atingir o teu nível de performance estratégica.
Tu é que és lento a mata-las, ou cegueta. Ou entao imaginas mosquitos, ou melgas, escondidos atrás de objectos, a jogarem ás escondidas. Deves sentir-te sozinho. Temos que sair mais vezes para perderes a necessidade de "amigos" imaginarios com quem jogas ás escondidas ou quarto escuro. =P
Roubo-te ja a resposta do: mais vale so e a jogar ás escondidas com mosquitos imaginarios que mal acompanhado, comigo entenda-se.
Obrigado Ricardo. Bem sei que posso contar contigo, amigalhaço. Apenas me magoa pensares que eu te daria uma resposta dessas.
Tão feia.
E tão fraquinha.
sempre ás ordens meu caro!
Enviar um comentário