São tantas as coisas que afectam o nosso estado de espírito e tão poucas as que podemos controlar, rezava um anúncio a chá de tisanas. Tantas coisas... E o que mais me fascina é perceber como, no meio dessas tantas, são as pequenas coisas que acabam por ter um papel determinante.
Os Bush, essa incontornável referência da rock melódico, cantavam “It’s the little things that kill”. O David Aames, essa quase tão incontornável referência do cinema quanto a Sofia, afirmava no Vanilla Sky “The little things. There’s nothing bigger, is there?”.
E de certa forma, eu concordo. Mas só de certa forma. Vou dar exemplos.
1. Acordei hoje por volta das 5h40 com o chilrear compassado de um pássaro nas proximidades da minha janela, e depois tive dificuldades em adormecer. Coisa pequena, não?
Mas como fui eu parar à beira da loucura, prestes a abrir a janela e encher de molas da roupa o magano do animal?!
2. A minha boss não vem trabalhar hoje nem amanhã, para passar estes dias com os putos que estão de férias. Coisa pequena, não?
Como pude então eu ficar bem-disposto com este pormenor numa segunda-feira após um fim-de-semana prolongado?
3. Apesar das queixinhas todas, acho que até tenho boas condições de trabalho, sobretudo desde que aqui há umas semanas foi proibido o uso do chicote à terça-feira à tarde. Em contrapartida, foi-nos pedido que não ouvíssemos música durante o dia, sendo que hoje, com a boss fora, sempre vou pondo um phone no ouvido esquerdo de vez em quando. Coisa pequena, não?
Errado!!! Esta merda é grave!
Não estou aqui a falar de mariquices como passarinhos a cantar ou férias com os putos. A proibição de ouvir música no emprego, significa que, inadvertidamente, foi colocada em causa a minha felicidade no trabalho, e, consequentemente, a minha motivação, a minha produtividade, os lucros desta empresa, a riqueza do País, a sustentabilidade e equilíbrio do sistema financeiro internacional, a sobrevivência da Humanidade e a razão da existência do próprio Deus!
Vão-se as coisas grandes e vão-se as coisas pequenas, e não fica cá nada nem ninguém para contar a história, nem sequer a evidente hipérbole desta absurda linha de racioncínio...
E por isso aqui me apresento, humilde perante ti, ó patrão nosso que estás no... teu lugar(?), rogando-te, pedindo-te, em nome de tudo o que é mais sagrado, por respeito às coisas pequenas e às grandes também: deixa-me por favor, se é que me lês, pôr o outro phone para eu poder ouvir em stereo esta música que está a dar na Antena 3!
segunda-feira, abril 09, 2007
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7 comentários:
então proibem o uso de phones e não proibem as bloguisses (esta palavra existe?) durante o expediente??? Ainda há empregos bons...
Uma sugestão: disfarçar os phones com cabelo. ahhh...nestas alturas dá tanto jeito ter uma cabeleira que nos tape os abanos!
Sugestão dos meus tempos de secundária: meter os phones por dentro da manga.
Vantagem: invisível
Desvantagem: Teclar só com uma mão é um bocado à urso.
Portanto, eu mesma, o que me sugeres é que deixe crescer duas madeixas de cabelo por cima das orelhas, suficientemente compridas para chegarem da minha cabeça ao computador, que está a meio metro de mim...
E quem é que me dá abrigo quando o meu pai me puser fora de casa?!
fisgas, acho que teclar à urso é com a palma da mão.
opá...eu pensava que ouvias música a partir de uma daquelas coisas pequenas que se enfiam num bolso qualquer... Tendo em conta que os fios poderiam facilmente ser escondidos, era só tapar o pescoço e as orelhitas...
sendo assim... humm...pois...só enfiando mesmo na manga (os fios, claro!)
Tou a ver que tens um vasto leque de recursos.
Mas acho que vou antes começar a cantar. Será apenas uma questão de tempo até voltarem a autorizar a música no escritório.
Se não autorizarem, podes pedir ao Jack Bauer um daqueles auriculares especiais que eles usam para comunicar. Depois é só contratares a Nina para ficar algures perto do escritório a mudar as músicas quando pedes, tipo DJ privativa.
Ou então podes usar a ideia da eu mesma, adicionando à tua cabeça uma farta cabeleira postiça. Recomendo uma cabeleira loura ou cor de cobre. Fuchsia é que não, dá muito nas vistas.
Acho que a eu mesma tem razão.
Devias deixar crescer o cabelo, ou então usar uma cabeleira. Como o Carnaval já passou, só te faltaria teclares com a palma da mão para ficares um bocado à urso...
Qualquer coisa menos cantares. É que por vezes partilhamos o edificio.
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