quinta-feira, novembro 30, 2006

Um Post Baralhado, Para Ordenar

Concluo que existe uma certa comparabilidade com a postura adoptada perante a vida. Nem sempre as coisas fazem sentido. Aliás, parando para pensar, não sei se alguma vez se encontra um sentido. Estuda-se para arranjar trabalho. Trabalha-se para arranjar sustento. Mas onde acaba a lógica? No final de tudo, qual o objectivo? Para mim é como que um puzzle com peças demasiado grandes para se perceber a lógica. Mas uma vez mais, há os que vivem alheados disso, absortos nas suas profissões e famílias, e há os que vivem obcecados pelo problema, angustiados por não perceberem o que andam aqui a fazer. E depois há os ovos como eu, pontualmente maravilhados com as questões sem resposta. Não o suficiente para largarem a sua banal e rotineira existência, mas ainda assim esperançados de um dia vir a encontrar a chave que coloque no devido lugar as peças do puzzle e dê a tudo um sentido.

Permitam-me começar com uma viagem à minha infância, tempo em que, a dado momento, nutri um interesse por puzzles. Julgo que sempre me fascinaram. De um modo passivo é certo, não o suficiente para tomar a iniciativa de comprar um grande puzzle e me dedicar afincadamente a ele, mas encontrava interesse na tarefa de encontrar uma lógica nas peças e construir um todo. Ainda assim, somente uma vez tive um puzzle, não muito grande, 500 peças, não ambicionava a mais. E mesmo este não o cheguei a concluir. Vislumbrava já a torre Eiffel, mas fui derrotado pelo imenso céu azul que a rodeava.

Desde logo, há o tipo de crianças que se agarra ao puzzle como se não houvesse amanhã e só o larga quando estiver completo ou, eventualmente, faz uma pausa se o jantar for bife com esparguete – o meu prato de eleição até aos 12 anos. Por oposição, há os múdos que mexem nas peças, aceitam que as azuis são azuis e nada têm que ver com as amarelas, cagam no puzzle e vão brincar com o He-Man. E há os intermédios – acho que entro aqui – atraídos pela ideia de dar uma lógica às peças, mas que a certa altura desistem, com a atenção atraída por outro qualquer passatempo, ou pelo bife com esparguete.

Esta história da infância é metafórica. Mas faz-me pensar nas diferentes posturas que se adoptam perante um puzzle. Não sou particularmente dado a etiquetar pessoas, mas acho que se podem reconhecer pelo menos 3 tipos de atitudes diferentes.

2 comentários:

Cx disse...

E onde é que entram os que simplesmente encontram as peças difíceis dos amigos?

Acho que são tipo aquelas personagens secundárias que a 10 minutos do fim dizem assim na boa uma qualquer revelação bombástica sobre o vilão até aí desconhecido, do género:

- Pois, o Mr. Connors nunca mais foi o mesmo desde que lhe morreu a família na feira popular.
- O que diz, Sr. Ricky?! A família do Mr. Connors morreu na feira popular?!

E depois o herói desata a correr para encontrar o malvado Mr. Connors...

Anónimo disse...

Muito bom este post. A história metafórica que utilizastes explicita bem a conclusão final. Estou de acordo que, pelo menos, poderemos identificar 3 grandes tipos de atitudes diferentes.

Três, a conta que Deus fez.

Desculpem, não resisti.