sexta-feira, novembro 03, 2006

Carne de Porco com Moral

Se forem como eu, saberão quão boa visão é para os olhos de um esfomeado, um prato com comida a jorrar para fora, sobretudo quando se está a almoçar já depois das 2 da tarde. Uma daquelas coisas, como dizia o anúncio do Chá Pleno Tisanas, ou algo parecido, com as minhas desculpas à marca, que alteram o nosso estado de espírito. Foi no almoço de hoje que descobri como obter da senhora que nos serve o prato, uma generosa dose de carne de porco à alentejana.

Quero a carne de porco, digo eu segundos antes de pedir à senhora, atenciosamente, se podia não pôr muitos pickles. Claro, responde-me ela, enquanto começa imediatamente a pôr mais carne e batatas para compensar os pickles que obviamente não consegue retirar... Dá-me então o prato. Desculpe, mas será que me poderia servir também uma colher de arroz?, pergunto. Claro, responde-me ela, enquanto começa a mandar para o prato duas ou três colheres de arroz, visivelmente roída pelos remorsos de não me ter perguntado se eu queria acompanhamento. E assim recebo, músculos da cara contraídos num sorriso, o meu prato cheio!

Como é óbvio, não tive apetite suficiente para comer tudo aquilo. Ocorreu-me então que estava a aprender uma lição de moral importante. Importante ao ponto de justificar magoar levemente os leitores do Campolide com um testemunho um pouco tolo sobre técnicas persuasivas a aplicar a senhoras de restaurantes / cantina:

"Não é por teres o prato cheio, que tens que comer tudo até ao fim."

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