terça-feira, junho 21, 2005

O trabalho

O que realmente me chateia agora que estou a trabalhar não é o facto de ter que acordar cedo, falar com algumas pessoas chatas e ter de me rir de piadas sem graça nenhuma.

Nem sequer a impossibilidade de simplesmente me baldar na próxima hora, ir ao cinema todas as noites e jogar futebol todos os dias. Não é o facto de não me poder deitar muito tarde, nem fazer uma directa, nem apanhar uma tosga porque o próximo dia vai ser tramado.

Não é o facto de só ter um dia de descanso (porque ao domingo só pensamos que vamos trabalhar no dia seguinte), de fazer cenas que ás vezes são muito chatas, de não ficar parado no corredor a olhar as raparigas da faculdade, de não poder ir à Portugália as 4 da tarde beber uma jola.

Não é o facto de não poder tirar um dia para tratar de assuntos inadiáveis (que os podia fazer em uma hora se acordasse cedo), de poder discutir o estado da política nacional, o que o Bush fez ontem, a ultima contratação do Pampilhosa da Serra ou a última namorada de uma actriz famosa.

Não é o facto de não poder exercer o direito de conversar sobre tudo e nada com o pessoal num intervalo, de não falar de futebol, vinho tinto e meninas, de não poder ver o Silva a dormir ou não me rir do Sniper sempre que o vejo.

Há tantas coisas que me chateiam agora que trabalho mas a pior de todas é que ainda não gritei VENDE e COMPRA, ainda não fiz o meu primeiro milhão, ainda não apareci na Forbes, não tenho um Ferrari, 1 casa em cada cidade que visito, um iate, e um avião particular. Já trabalho à uns 3 meses e ainda nada disto!

Quanto tempo mais é que tenho que esperar?

Aquele Abraço

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