sábado, dezembro 11, 2004

A crise da meia-idade

Nem três semanas volvidas do meu vigésimo segundo aniversário, quando sobreveio um lamentável incidente que me fez sentir incrivelmente velho e apreensivo sobre uma precoce crise da meia-idade. É certo que já tive atitudes de que nenhum jovem pode sentir orgulho, mas o malfadado incidente deste sábado foi demasiado grave para ser encarado com ligeireza.
Tudo aconteceu durante o almoço, onde me deliciava com umas gordurosas costeletas e umas sumptuosas batatas fritas, enfeitadas com umas banais coisas verdes. A tragédia abateu-se sobre a mesa aquando da primeira garfada daquela coisa verde com ar seco e pouco comestível. Foi uma sensação de... prazer! Um prazer inexplicável! Repugnável! Impensável no tempo em que, efectivamente, sabia da vida e fazia juras sobre o que iria fazer e sobre o que jamais comeria, quando tivesse juízo... Devo confessar que ou o juízo ainda não apareceu ou então nem dei por isso e já se foi embora, porque, no fim de contas, acabei por me tornar num apreciador de brócolos.
Eu já vinha desconfiando das sopas, mas a sensação de conforto estomacal ia servindo de justificação. Mas o gosto por brócolos feriu devastadoramente a minha meninice!
Resta agora o ódio visceral aos camarões, aos envinagrados e à maionese. Doravante, muito mais do que até hoje, vou fazer por nunca gostar destas bodegas, na esperança de não desvirtuar a nobreza do meu cada-vez-mais-fragilizado espírito jovem...

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