Aproveitei os meses de Verão, as férias alheias e a oportunidade que ambos me deram de fazer o IC19 em menos de uma hora, para me deslocar diariamente de carro para o trabalho. Agora que é Setembro, nem o facto de ter passado as últimas semanas em longas - por vezes desconfortáveis, mas em qualquer caso memoráveis - viagens de comboio, me belisca o prazer que tem sido voltar a andar de comboio na linha de Sintra.
Não estou a ser irónico. Confesso que eu próprio me surpreendi com quão agradável achei as deslocações casa-trabalho e trabalho-casa nesta rentré.
É verdade que senti, durante muito tempo, que dificilmente algum dia me manteria acordado num comboio. Ao primeiro tchun-tchun tchun-tchun – eis a triste onomatopeia que encontrei para o som das rodas nos carris – tornava-se-me quase impossível suportar o peso das pálpebras. Estranhamente, hoje em dia - não sei que aconteceu entretanto – passo a maior parte do tempo de viagem a ler, o que me dá, não só grande gozo, como também a sensação de que, de alguma forma que me é desconhecida, consegui domar a minha outrora indomável sonlência.
Depois do comboio, faço a pé o percurso até ao trabalho, o que me resulta igualmente agradável porque sigo na companhia da minha música e porque simplesmente retiro maior prazer de andar a pé na rua, agora que isso se tornou uma actividade rara.
Banalidades, no fundo.
Mas o meu ponto com esta baboseira toda é o seguinte: pese embora me queixe frequentemente de morar longe do trabalho, a verdade é que desta forma acabo por passar uma razoável parte do meu tempo a ler, a andar a pé e a ouvir música, três coisas que aprecio bastante. Certamente mais tempo do que aquele que despenderia vivesse eu em Lisboa, caso em que, suspeito, passaria a hora diária que pouparia em transportes, a vegetar no sofá ou a navegar à toa na internet.
E assim dou por mim a pensar se não será este um exemplo de como a falta de opções até pode acabar por ser benéfica...
: )
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8 comentários:
São certamente das minhas partes preferidas do dia. O caminho até à estação na companhia da minha música, a viagem de 25 minutos até Lisboa na companhia de um livro (e da música também, porque as conversas dos outros distraem-me) e mais uma caminhada até ao emprego, mas desta vez na companhia do parceiro :)
Exceptuando a parte do parceiro, partilhamos os mesmos gostos!
Deixa-me dizer-te que passaste a ser o meu ídolo! Tb comecei a levar o carro para Lx com a desculpa do Agosto e agora não consigo largá-lo!!! E pesa taaaaaaaaanto na carteira... Para além de todas as boas coisas aqui mencionadas que se perdem...
Começo a pensar se afinal não valerá a pena comprar uma casa em Sintra ou em Cascais só para poder usufruir destas coisas boas ;)
cara fã ab,
tens é de negociar umas férias, que são a melhor forma de quebrar a rotina e os maus hábitos!
No meu caso, andava mais viciado em pastilhas que um músico dos anos 60. Desde que voltei, ainda não toquei numa e estou maaaarabilhado....
sofia,
Sintra, Cascais, é tudo muito bonito e tal.
Mas lembra-te que tens ainda opções como o Cacém - a cidade mais multicultural do País - ou a Amadora - também conhecida por Porcalhota!
Caixa,
Sinto-me feliz por ler o teu post, e perceber que não foi em vão que te disse que eras um sortudo por teres o comboio para ler. Feliz por ver que tomaste conta da sorte que tens e és feliz com isso!
Se bem que acordar a 30min de estar a entrar no trabalho, também é igualmente interessante...
PS: aos demais, ignorem a opção "Cacém" no vosso mapa de escolhas imobiliárias...
Acordar a 30 minutos de entrar no trabalho parece-me bom, de facto. Infelizmente só me parece possível se trabalhasse em casa, e mesmo aí teria de comer o pequeno-almoço à pressa, coisa que arrelia bastante.
Não é tão complicado assim. Basta não ficares na ronha na cama, o que advinhando o teu caso e tendo uma almofada tão apetecível a teu lado, deverá ser complicado.
Depois, basta não tomares o pequeno almoço, o que dado que não jantas, complica um bocado o esquema.
No entanto, já não consigo fazer nesse tempo. Agora é a 40min.
Maldita barba...
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