Antigamente, quando me debruçava para atar um lenço sujo a um joelho esfolado olhava para os estragos e para o sangue e sentia uma grande satisfação. Para um rapazito de 8 ou 9 anos há alguma glória em estar ferido. Todas as actividades que oferecem a possibilidade de lesões – desportos violentos, bravatas, andar ao soco – são interessantes.
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Ser rapaz é um prazer. Não deixa de ser um prazer só pelo facto de ser ridículo. Só um rapaz gosta, com sinceridade e consciência, de comer feijoadas gigantescas, de pegar touros, de dar chapadões nas costas dos amigos, de deixar crescer a barba, de beber gasosa de propósito para dar arrotos (...) de fazer javardices, de ver filmes mentecaptos com karatecas e psicopatas a tirar olhos uns aos outros, de contar orgulhosamente as bebedeiras que já apanhou…
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Ser rapaz é um prazer. Não deixa de ser um prazer só pelo facto de ser ridículo. Só um rapaz gosta, com sinceridade e consciência, de comer feijoadas gigantescas, de pegar touros, de dar chapadões nas costas dos amigos, de deixar crescer a barba, de beber gasosa de propósito para dar arrotos (...) de fazer javardices, de ver filmes mentecaptos com karatecas e psicopatas a tirar olhos uns aos outros, de contar orgulhosamente as bebedeiras que já apanhou…
São coisas lamentáveis que têm, no entanto, a sua graça e que as raparigas evidentemente não percebem.
As raparigas não gostam destas coisas e os rapazes gostam que elas não gostem. Fazer medo e nojo às raparigas é 99,9% do prazer de ser rapaz. À medida que se cresce este prazer vai diminuindo. Atenção! Agora chegamos à parte trágica. Aos 13 anos já desapareceu completamente... É o contacto prolongado com elas que os descaracteriza. Depois do primeiro namoro e da primeira série de "Que horrores!" que sai da boca da namorada, um rapaz perde toda a graça que tinha. Fica humanizado. Torna-se um ser humano.
O verdadeiro macho, o homem primal, a besta sadia que é o ser humano do sexo masculino em toda a sua glória é o rapazito de 9 anos.
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in “As Minhas Aventuras Na República Portuguesa”
As raparigas não gostam destas coisas e os rapazes gostam que elas não gostem. Fazer medo e nojo às raparigas é 99,9% do prazer de ser rapaz. À medida que se cresce este prazer vai diminuindo. Atenção! Agora chegamos à parte trágica. Aos 13 anos já desapareceu completamente... É o contacto prolongado com elas que os descaracteriza. Depois do primeiro namoro e da primeira série de "Que horrores!" que sai da boca da namorada, um rapaz perde toda a graça que tinha. Fica humanizado. Torna-se um ser humano.
O verdadeiro macho, o homem primal, a besta sadia que é o ser humano do sexo masculino em toda a sua glória é o rapazito de 9 anos.
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in “As Minhas Aventuras Na República Portuguesa”
by Miguel Esteves Cardoso
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