Uma destas manhãs, reunia eu coragem para deixar o calor e o peso dos cobertores da minha cama, quando ouvi na Antena 3 que a Amazon havia lançado um novo e interessante gadget. Era o Kindle. Era do tamanho de um livro de bolso e permitia ler e fazer download de livros, jornais e blogs. E, vim a percebê-lo mais tarde, era feio.
Mas nem por isso menos fascinante. Acho tentadora a ideia de aceder a jornais de todo o mundo logo pela manhã e de fazer downloads de livros a $10. E sei, pela experiência dos leitores de mp3, como a nova tecnologia pode melhorar a relação com as artes.
Mas vá, livros e música são coisas diferentes. E ademais, não consigo contornar uma certa desconfiança. Porque é grande a afeição que tenho à leitura e é grande a afeição que tenho aos livros. Aos livros livros, no mais físico conceito da palavra.
Confortam-me as paredes do quarto recheadas de livros. Conforta-me procurar o lugar onde arrumar o livro acabado de ler, tão acabado de ler que ainda as personagens são tão familiares quanto velhos amigos. Conforta-me percorrer com o olhar as lombadas e recordar os livros marcantes e os momentos da vida em que os li. Confortam-me o cheiro e o toque e conforta-me a sensação agridoce de virar a última página de uma história...
Sinto os livros como cobertores. É verdade que posso dormir sob edredons, que são mais quentes e leves, mas jamais deixarei de apreciar o prazer de sentir no corpo o peso dos cobertores numa noite fria de Inverno.
:)
quarta-feira, novembro 21, 2007
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3 comentários:
Deixa-me acrescentar que o Kindle custa 400 dólares. Está bem que o dólar está a desvalorizar, mas mesmo assim acho muito. E depois, é horrível. Esteticamente, quero eu dizer.
Está bem que há uns tempos atrás também toda a gente adorava ter montes de CD e hoje em dia já há muita gente que acha que tem caixinhas de plástico a mais em casa e prefere a música digital (eu, por exemplo)... Mas duvido que isso vá acontecer com os livros.
De facto, é muita feio... E um bocado caro, também diria.
Mas acho que este tipo de coisas têm vantagens excelentes. Digo duas: dicionário e um find!
Sinto o Kindle como um mono de € 400 (sim, porque a versão de lá está muito provavelmente bloqueada à rede americana, e estas coisas passam sempre para a europa pelo preço nominal) mas acho uma ideia interessante. Ao contrário de certas pessoas com nome de objecto cúbico ou paralelipipedopédico, acho que a maioria dos livros, especialmente depois de lidos, existem só para ocupar espaço. Acho que preferiria lê-los em formato digital, desde que com um ecrâ decente como o que este kindle supostamente tem.
Pena é ser caro e cobrar assinaturas por cada blog que se quer ler lá (que raio de ideia).
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