terça-feira, julho 24, 2007

Informal

Eu e o valverde andávamos perdidos por entre prédios iguais, em ruas iguais - foi isto há coisa de uns meses - daí que tenhamos parado para pedir direcções a uns putos que conversavam à beira da estrada. Ao “desculpa lá, mas sabes onde é que fica a polícia?”, foi-nos devolvida qualquer coisa como “o senhor vira à direita e na rotunda segue sempre em frente”.
Quer-me parecer que a ideia era ser bem-educado, mas acontece que tomo ofensa em ser tratado por senhor por um puto de 16 anos...

Eu e o costinha éramos dois putos sentados no lancil à espera dos amigos, quando parou um carro à nossa beira, e dois gajos mais velhos, barbudos, nos perguntaram como é que se ia até à polícia, ao que devolvemos qualquer coisa como “o senhor vira à direita e depois segue em frente nas obras de construção da rotunda”.

Na verdade, não sei se esta 2ª história aconteceu, apenas a deixei aqui em reconhecimento pela minha – admito-a – obtusa boa-educação dos 16 anos, em que me dirigia aos mais velhos numa respeitosa 3ª pessoa e não percebia porque diacho a minha mãe insistia em meter conversa com as senhoras que encontrava no comboio, no autocarro, na fila da repartição de finanças...

Vejo as coisas de forma diferente hoje. Talvez por ter passado a mover-me em contextos mais formais e hipócritas, passei a reconhecer o valor de ambientes descontraídos. Gosto de tratar as pessoas por tu - torna-se difícil provocá-las na 3ª pessoa – gosto que me tratem por tu, e por vezes até me agrada trocar umas palavras com desconhecidos. Por outro lado, complica-me o esquema ver as tias de cascais a tratar os filhos por “a ritinha” ou “o martim”.

Sinto que porreiro porreiro seria tratarmo-nos todos por tu. Tu cá tu lá com a malta toda: amigos, pais dos amigos, professores, a helena coelho, toda a gente! E quem sabe se um dia, neste utópico mundo novo de descontração, poderíamos até, loucura!, vir para o trabalho com pantufas calçadas e colarinho sem gravata, ou parar à noite no Bairro Alto e dirigir um comentário a um desconhecido sem que daí se depreendesse fosse o que fosse do nosso estado de embriaguez.
:)

4 comentários:

Lemmings disse...

Não me importo de usar fato, camisa apertada nem gravata, só preferiria andar de ténis (vermelhos, laranjas, azuis bebés... o que fossem, mas ténis). Quanto à forma de tratamento por enquanto todos os putos de 16 anos ainda me tratam como se tivesse a idade deles, o problema é que as miúdas de 25 tambem me tratam como se tivesse 16.

Atlantys disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Atlantys disse...

Desta vez não concordo nada contigo, bem excepto na parte que diz respeito às tias de Cascais =D
Ainda que me digam que por vezes me comporto como uma elitista do caraças, acredito que cada coisa tem o seu lugar e altura próprias e, acima de tudo, o respeitinho é bonito e eu gosto ;-)

Cx disse...

lemmings, deixa-t de histórias pá. desde q mudaste o visual deixaste de conseguir passar por miudito. Agora sim, sabes qual é a sensação de pagar bilhete inteiro no comboio!

atlantys, quer isso dizer que não aprovas a proposta das pantufas? estou a ver que ficarei só nesta luta...
Mas só para que fique claro, eu trato-t por tu, mas gosto de ti e tenho-t respeitinho, vale?