Há não muitos meses, a minha mãe optou por se poupar - a ela e à famelga - às tarefas semanais de limpeza doméstica. Contratou a Dona Silvina. (Sinto-me seguro. Não me parece que a Dona Silvina veja uso num router além do de suporte para partículas de pó). Tendo carregado nos ombros, durante generosa parte da minha jovem vida, o peso da responsabilidade de limpar o meu quarto, sinto agora uns simpáticos alívio e bem-estar com as horas, ainda que poucas, que a Dona Silvina me liberta nos fins-de-semana.
Todavia, não sei evitar o desconforto de saber desafiada, todos os sábados, a invisível ordem subjacente ao caos que, aparentemente, reina nos meus livros e facturas e CD's e meias e cartas do banco e pilhas gastas. Não me agrada ouvir "a Dona Silvina encontrou isto debaixo da cama e não soube o que lhe fazer" (diz-me a minha mãe enquanto me apresenta a mola da roupa enrolada em plástico de embrulhar sandes, que carreguei no meu estojo desde o 7º ano até ao último exame da faculdade), quando sei perfeitamente que aquilo (a mola) estava guardado numa qualquer gaveta. Ou talvez dentro de um estojo, o qual está, por sua vez, arrumado numa qualquer gaveta ou prateleira da escrivaninha, da mesa do computador, ou eventualmente, mas com menor probabilidade, da mesa de cabeceira!
Porque raio foi a Dona Silvina desarrumar a mola?!
Como se isso não bastasse, a Dona Silvina faz-me a cama. Fá-la provavelmente com a arrogância e a auto-confiança de quem faz camas há 40 anos, ingénua na ignorância de andar a fazer a cama ao mestre. Nesta matéria sou exigente. Daí que me aborreça acordar às 2h30 am, cheio de sede e a transpirar, querer baixar um dos cobertores e não conseguir por ter a Dona Silvina deixado os cobertores entre os lençóis e o edredón... Até tenho bom acordar, mas, bolas!, levantar-me a meio da noite para refazer uma cama, opá!, deixou-me a murmurar palavras que não vêm no dicionário...
terça-feira, janeiro 16, 2007
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4 comentários:
Meu caro amigo,
A mítica Mola ainda existe???
Isso é que é ter fé.
Será, que é desta que nos vais explicar, a mim e ao auditório do Campolide, a história dessa Mola?
Abraço.
PS. Pura maldade da Dona Silvina. Além de maltratar tal objecto de culto, ainda goza contigo, a fazer a cama como deve de ser…
Existe pois!
E conto um dia, algures na minha velhice, passar a mola da sorte ao meu neto e deixá-lo a pensar "Prontos, o idoso fritou de vez! É desta que a mansão nos Lago de Como passa para mim."
LOL...
reconheco-me na brilhante arrumação desse quarto...
e reconheço uma dona antónia na dona silvina.
debaixo da cama, o TANAS! eu bem sei onde tinha deixado aquilo. ARGH!
Aposto que estas senhoras se reúnem nas tardes de quinta-feira para beber chá, comer bolachas de aveia e contar as malandrices que fazem aos jovens incautos com quartos ligeiramente desarrumados...
As malévolas...
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