sábado, março 12, 2005

11 / Março

Há um ano, a tragédia. As notícias vindas de Madrid assolaram o meu pequeno-almoço e deixaram-me abismado perante tamanha atrocidade.
Seguiu-se uma banal quinta-feira de aulas, culminando com uma balda a uma aula de SEP para ver o Benfica contra o Inter.
Sonolento e enfadado, parti, no início da segunda parte do jogo, para o cinema. Meia hora à espera de um autocarro ou de um táxi levou à necessidade de fazer uma corridinha bizarra, insuficiente para evitar um ligeiro atraso...
Que filme ver? “A Paixão de Cristo”, claro! Emoções, lágrimas e uma introspecção final, relacionada com o início do dia – estará a humanidade mais bárbara do que no dia em que Ele morreu por nós? Talvez sim, talvez não, mas de certeza que continuamos a não saber o que fazemos.
Resultado final: uma insónia. Loucamente indesejada, tendo em conta que na manhã seguinte teria de fazer um exame de condução.

Um ano volvido, outro dia demente, que começou igualmente mal, com uma hora inteirinha a tentar arranjar um sítio para tirar uma foto para dar na entrevista que teria mais tarde.
De seguida, correr para Campolide, trabalhar um bocadinho, enfiar abruptamente uma bucha no estômago e voar para o Pavilhão Atlântico, para a entrevista.
Acho que fiz bem em não levar carro, pois consegui chegar a horas. Horas para apresentações, testes e uma dinâmica de grupo.
No fim, exausto e faminto, com vontade de ir para casa, tive duas tentadoras boleias e optei por escolher a mais desconhecida. É bom aventurar-nos. Ainda bem que não levei carro!
Fui nervoso, não seguro. As mãos de uma mulher dão-me sempre calafrios, quando estão atrás de um volante. Estou a brincar. Óptima condutora. Óptima pessoa! Não uma doce descontente da Católica, mas sim uma graciosa rapariga, bastante musical.
À noitinha, outro jogo de futebol. Que miséria! Derrota humilhante do FC Porto, contra o Nacional. Mal vi o jogo. Há muito tempo que não tenho paciência para ver os azuis e brancos.
Pouco depois, uma sensação esquisita, um nó na alma, assente em reminiscências bem antigas, despertadas por uma sublime viagem. A minha vida é um turbilhão, embriagada em emoções turvas, difíceis de descodificar.
Resultado: outra insónia. Já passava das duas e meia da manhã quando escrevi isto tudo e outras imbecilidades (que jamais serão aqui expostas) num caderno, no meio dos lençóis, a ver se o sono pegava. Salvaguarda-se o facto de hoje ser sábado e não ter tido nada para fazer.

2 comentários:

Tosttas disse...

Peço desculpa pelo avolumado de palavras, mas às vezes dá-me mesmo vontade de escrever. Chega a meter pena quando a caneta não consegue acompanhar o cérebro. E claro que mete dó o cérebro não produzir nada de jeito...
A questão é que tenho demasiadas memórias dos Salesianos. Todas bastante boas, mas quando uma é refrescada, as outras tendem também a aparecer.
O facto mais curioso é que enquanto lá andei sempre senti um profundo desprimor pelos livros de português que era obrigado a ler. E agora dou comigo a querer ler constante e eternamente.
Doravante, irei conter os meus ímpetos, pelo menos no Blog. Afinal de contas, até tinha planeado fazer birrinha, mudar a cor do Blog para preto, e outras coisas mais, até que a maioria de vós se resignasse a participar.

Paulo para todas as obras disse...

À vontade, amigo! É um prazer ler as suas prodigiosas palavras...agora quanto a não ter nada para fazer??!! Então e o trabalho de contabilidade de gestão, hein? De qualquer maneira, está feito (bem, não de qualquer maneira, Sandra, um grande Bem Hajas!) e amanhã há mais e, certamente, se no nosso dia a dia tudo correr como normal, as dúvidas, as águas turvas e revoltas continuarão, para bem de nós e da Humanidade...enquanto houver gente assim estamos bem...quando tivermos entregues a aqueles que tudo sabem, aí sim, meu amigo, estamos perdidos! Dito isto, vou-me coçar! (esta piada poderia ter ficado de fora, mas enfim, eu sou um gajo que gosta de gozar de mim próprio!)Abraços

Ps: vou ver se arranjo "assunto" para posts!