segunda-feira, abril 16, 2007

Há dias assim...

Em que um gajo acorda cheio da pica, em que o dia amanhece a prometer sol e calor, em que a boa-disposição contagia, em que se pega no telefone e se despacham os mil e um pendentes acumulados nas últimas semanas, em que se leva nas orelhas da boss mas caga nisso, em que o ar condicionado deixa a sala na temperatura perfeita, em que o almoço estava muita bom, em que o metro chega justo quando se pousa o pé na plataforma de espera, em que os astros todos parecem alinhados para que o dia seja perfeito!

Há dias assim...
Espero que amanhã seja um deles, porque eu hoje só quero mesmo chegar vivo a casa... Fonix mais às segundas-feiras...
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domingo, abril 15, 2007

Da Deolinda, e do pouco que falta para acordar

Ai, ai... hay que erguer da cama o rabinho
tarda pouco mais que um bocadinho.

Mas se algum valor há em escrever num blog de moderada audiência, que seja o divulgar o valor da música que fala a língua tuga mais tuga não há. Pois se depois de assistir pela primeira vez a um concerto da Deolinda fiquei serenamente impressionado, depois de assistir pela segunda vez a um concerto da Deolinda - o que foi há pouco mais que um bocadinho - fiquei menos serena mais emotivamente impressionado.

Amigos, amigas, se tiverem oportunidade, não deixem de ouvir estes artistas. São a essência poética e musical portuguesa revisitada, com travos de humor e ironia, e um talento do tamanho da saudade. E aquela sensual vocalista - quase escrevia voz mas é mais do que isso - é que dá mesmo cabo de mim...
Aqui estão dois vídeos do que penso ter sido o primeiro concerto deles, aqui um vídeo com pouca imagem - é mais som - do mesmo concerto, captado por um compincha blogger cá da casa, e aqui o myspace.

Foi boa a noite, a noite de sábado que sabe - já pensei nisso noutras noites de sábado, enquanto a cabeça já encostava na almofada - que sabe, dizia eu, a agri-doce.
Mas amanhã há que levantar cedo, há que estar em boa forma, há que fazer a corrida de atletismo solidário - olha as cenas em que estes tipos me metem - e há que fazer boa figura não vá o acaso destinar a vocalista dos Deolinda a correr ao lado da equipa do Campolide...
E cá acrescento - nem a propósito que tenhamos falado disso justo ontem - que a 27 de Maio teremos corrida no estádio do Glorioso, sei que os há aí curiosos e interessados em participar.

Posto isto, é hora, me vou, repousar, dormir, ganhar forças para tirar, tarda pouco mais que um bocadinho, da cama o rabinho. Vai doer...
Mas ai ai... curtos ou largos os passos,
hay que não deixar mal os amigalhaços.

sexta-feira, abril 13, 2007

Comunicado


OS THE LOS SANTEROS EM RIO MAIOR


Os The Los Santeros apelam à nação Santera! Santeros e Santeras deste país, seres vivos em geral - Los Santeros precisam de vocês!!!


Vai realizar-se no próximo dia 21 o maior concerto de Los Santeros de sempre do mundo! Camiões cheios de material de som, cervejas, palcos, chihuahuas, pirotecnia, cervejas e dois aviões com cervejas já chegaram a Rio Maior, para preparar o concerto do milénio.


Este é o concerto do tudo-por-tudo, uma final antecipada, o mata-mata, o bebe-bebe, aquilo por que lutámos toda uma vida.


Assim, os Santeros pedem ao país que retribua aquilo que os Santeros lhe deram durante os últimos 30 anos – barulho.


Sim, os Santeros sempre estiveram presentes nas alturas em que o país mais necessitava deles: no pós-PREC, dentro das maiores mocas de Rio Maior, no funeral de Sá Carneiro, na campanha de apuramento para o México '86, por trás de Guterres servindo de calculadoras, em todas as fábricas que fecharam, na concepção do filho da Marisa Cruz, naquele casamento, na casa de Irene, na abertura da Independente e no fecho do Independente, a ajudar a acabar com o stock de cerveja produzida a mais para o Euro 04, enfim, inúmeras ocasiões em que o país necessitou e os Santeros disseram "presienties!"


Agora são os Santeros que vos pedem: estejam presentes, não só no concerto como no caminho para o concerto. Vamos formar um cordão humano desde o Barreiro (donde sairão por volta das 15h) até Rio Maior. Ponham a bandeira Santera à janela. Façam parte da história.


Você não seria capaz de magoar 3 crianças, pois não? Seja humano. Ajude os Santeros.

quarta-feira, abril 11, 2007

Manhã Cedinho

Odeio levantar-me cedo.
Aliás, por vezes odeio levantar-me tarde também. Chego a deitar as culpas desse fenómeno no excessivo conforto da minha cama. Encontrei essa forma descomplicada de sacudir do meu capote a aquosa responsabilidade pela minha própria preguiça.
A verdade é que me custa, quase dói - mesmo que passada meia-hora a fazer snooze - finalmente tomar a decisão de empurrar para baixo os lençóis e assentar os pés no chão.

E no entanto, adoro as manhãs.
Adoro sair de casa manhã cedinho, com as ruas ainda desertas, o cheiro de bolos a cozer nos fornos das pastelarias, os vidros dos carros húmidos, o dia a despontar... Ver uma cidade que poucos na cidade vêem. E, aos poucos, as pessoas. E, aos poucos, a luz.
Sei que a meio da manhã - deve ser uma cena biológica - sinto-me melhor, penso melhor, trabalho melhor, e que, no final, todo o dia terá sido melhor.

Ah! a fascinante e contraditória condição humana...

segunda-feira, abril 09, 2007

As Coisas Pequenas

São tantas as coisas que afectam o nosso estado de espírito e tão poucas as que podemos controlar, rezava um anúncio a chá de tisanas. Tantas coisas... E o que mais me fascina é perceber como, no meio dessas tantas, são as pequenas coisas que acabam por ter um papel determinante.

Os Bush, essa incontornável referência da rock melódico, cantavam “It’s the little things that kill”. O David Aames, essa quase tão incontornável referência do cinema quanto a Sofia, afirmava no Vanilla Sky “The little things. There’s nothing bigger, is there?”.
E de certa forma, eu concordo. Mas só de certa forma. Vou dar exemplos.

1. Acordei hoje por volta das 5h40 com o chilrear compassado de um pássaro nas proximidades da minha janela, e depois tive dificuldades em adormecer. Coisa pequena, não?
Mas como fui eu parar à beira da loucura, prestes a abrir a janela e encher de molas da roupa o magano do animal?!

2. A minha boss não vem trabalhar hoje nem amanhã, para passar estes dias com os putos que estão de férias. Coisa pequena, não?
Como pude então eu ficar bem-disposto com este pormenor numa segunda-feira após um fim-de-semana prolongado?

3. Apesar das queixinhas todas, acho que até tenho boas condições de trabalho, sobretudo desde que aqui há umas semanas foi proibido o uso do chicote à terça-feira à tarde. Em contrapartida, foi-nos pedido que não ouvíssemos música durante o dia, sendo que hoje, com a boss fora, sempre vou pondo um phone no ouvido esquerdo de vez em quando. Coisa pequena, não?
Errado!!! Esta merda é grave!

Não estou aqui a falar de mariquices como passarinhos a cantar ou férias com os putos. A proibição de ouvir música no emprego, significa que, inadvertidamente, foi colocada em causa a minha felicidade no trabalho, e, consequentemente, a minha motivação, a minha produtividade, os lucros desta empresa, a riqueza do País, a sustentabilidade e equilíbrio do sistema financeiro internacional, a sobrevivência da Humanidade e a razão da existência do próprio Deus!
Vão-se as coisas grandes e vão-se as coisas pequenas, e não fica cá nada nem ninguém para contar a história, nem sequer a evidente hipérbole desta absurda linha de racioncínio...

E por isso aqui me apresento, humilde perante ti, ó patrão nosso que estás no... teu lugar(?), rogando-te, pedindo-te, em nome de tudo o que é mais sagrado, por respeito às coisas pequenas e às grandes também: deixa-me por favor, se é que me lês, pôr o outro phone para eu poder ouvir em stereo esta música que está a dar na Antena 3!

domingo, abril 08, 2007

Errol

Até pode estar a dar o "Butterfly Effect" na sic mas por acaso acho que todos os filmes protagonizados por este senhor:




são imperdíveis. O Errol (nome infeliz, coitado) fazia grandes filmes!

Nota 1: Acho que existe uma relação directa entre não conseguir andar (tenho um pé do tamanho de dois) e escrever 3 posts no mesmo dia
Nota 2: Deve igualmente existir uma relação entre tomar analgésicos como quem come smarts e começar a apreciar este tipo de filmes.

sábado, abril 07, 2007

Uma mensagem do povo oprimido nas masmorras do Santander



Nota: Se repararem a realização está ao nível de um "Citizen Kane" ou "American Beauty".

Será por isto que as franjas voltaram a estar na moda?

quarta-feira, abril 04, 2007

Boss & Cª

terça-feira, abril 03, 2007

O Manifesto Beijoqueiro

Tenho vindo a notar com desagrado, de há uns anos para cá, o sucesso das inovações em matéria de cumprimentos entre homem e mulher. No mundo dos negócios, passou-se a usar o aperto de mão, que é uma maneira mais formal de saudar as pessoas. No mundo dos betos, passou-se a usar o beijinho solitário, que é uma maneira mais simples de se distinguir os betos das pessoas normais.

Sou um tipo liberal, vocês o sabem, mas eis que desta vez pouso a capa, salto a pocinha, e vou mesmo armar em Velho do Restelo. Pois se há tradição de que me orgulho enquanto mediterrânico e latino, ela é a dos dois beijinhos! E a do refogado de tomate... Juntando o útil ao agradável, era rapaz para assentar dois beijinhos nas bochechas da senhora cozinheira que inventou o refogado de tomate.

Os dois beijinhos distinguem-nos dos povos frios com bolhas de segurança de um metro, que se saúdam com acenos, apertos de mão ou, perdendo a cabeça, tímidos abraços, de rabos empinados atrás, para que, Deus os livre, não se toquem as pernas!
Os dois beijinhos são a nossa forma de dizer “hey, és minha amiga e gosto de ti! Dá cá duas beijocas!”, ou “hey, não és minha amiga ou se calhar até nem vou muito à bola com a tua cara, mas o que é que isso interessa? Dá cá duas beijocas!”.
Os dois beijinhos são a nossa identidade cultural!
Os dois beijinhos somos nós!

E nós estamos sob ataque!
Do mundo corporativo que - não satisfeito com pendurar dos nossos pescoços um pedaço de pano com riscas, bolinhas, ou, no caso do Lemmings, Bambis – agora nos reprime a humanidade, e nos obriga a frígidos cumprimentos de braço estendido.
Mas sobretudo, dos betos e betas de Cascais, que nos baralham o esquema com as repetidas e imperdoáveis baldas no beijinho à direita.

Amigos e amigas, é chegada a nossa hora: vamos derrubar o aperto de mão! Vamos derrubar o beijinho solitário!
Vamos unir-nos e beijar-nos uma, duas vezes! E da nossa união nascerá uma força. Uma força que ninguém pode parar. Uma força que fará deste um admirável mundo novo...
Um mundo humano...
Um mundo caloroso...
Raios me partam, um mundo beijoqueiro!

O Pão

Quem diria que ser perito em pão seria tão interessante?

sábado, março 31, 2007

Dúvida existencial

Não sei o que é mais triste, se o facto de uma antiga vizinha da minha avó me ter oferecido um barco para ser usado no banho pensando que eu ainda era um puto (a minha avó já se mudou há mais de 10 anos e eu nessa altura já tinha um ou dois anos) ou o facto de ter gostado da prenda.

quinta-feira, março 29, 2007

Corredores

Estudei numa faculdade de longos corredores. Trabalho agora num escritório com corredores à saída da sala onde não deveria estar, neste preciso momento, a escrever posts. Sinto-me, portanto, preparado para elaborar teorias sobre serem os corredores locais propícios ao embaraço.

Ou isso ou eu sou esquisito. GOLOOOO!

Baseio-me nas vivências pessoais de encontros constrangedores em corredores.
O género de vivências em que vou corredor fora, tra-la-la-la-la , e vislumbro ao fundo, a caminhar na minha direção, o big boss. Nome fictício: Armando Barraca.

Armando Barraca não é necessariamente big boss. Pode ser um qualquer conhecido.
Não pode é ser amigalhaço. Porque se o fosse, ignorava-lo, acenava-lhe, levantava o queixo que nem forcado a gritar touro, hey touro!. Ou então gritava mesmo touro, hey touro!. Qualquer coisa...
Amigalhaços não geram problemas. Big bosses, colegas ou simples conhecidos, geram!

Voltando atrás: vejo o Armando Barraca e sei que ele me viu também.
E agora? Como procedo? O que manda a etiqueta que eu faça? Uma pessoa normal pensa nestas merdas? Terei a braguilha apertada?

As possibilidades são inúmeras.
Posso manter fixos o olhar e o sorriso, mas cautela! com os mal-entendidos que isso possa vir a gerar...
Posso desviar o olhar e concentrar-me na rugosidade das paredes até passar pelo Armando. Mas, não querendo usar o termo totó, isso parece ser bastante antipático.

E depois há momentos simplesmente tristes.
Como disparar um “boa noite”, e enquanto o faço perceber que são 10 da manhã e sou um asno.
Ou não conseguir optar entre o “bom dia”, o “atão???” e o “Armaaaando”, e acabar por balbuciar um “bom armatão?”, que não se percebe sequer se é uma pergunta ou uma afirmação. Sei apenas sou um asno e arrependo-me de não ter simplesmente dito "boa noite".

Amigos e amigas, é como vos digo. Os corredores são tramados. Aqueles quenianos então pá... Não há quem os apanhe!
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Brilhante discurso de tony blair... a verdadeira 3ª via

quarta-feira, março 28, 2007

Lemmings!!

Pela primeira vez neste século a minha mãe chamou-me pelo meu nome inteiro. Tenho que confessar que no meio do segundo nome comecei a tremer, no terceiro voltei a sentir que estava na primária e quando ouvi o último apelido lembrei-me perfeitamente do que tinha que fazer: Gritar com toda a força "Não fui eu" e pensar "que é que eu fiz desta vez?".

Na minha opinião não estamos cotas, não andamos é a ouvir raspanetes suficientes dos papás.

domingo, março 25, 2007

Ao Virar da Esquina

Perguntavam-me hoje os meus pais quando é que eu tinha ido a Fátima. Ora deixa cá ver, - respondi - foi no tempo do colégio, por isso já deve haver uns bons 17 anos. Sim, à vontade, confirmam eles.
Tudo bem, conversa banal, até seguiu mais uns minutos, mas pera lá... 17 anos?! Deixei-nos aos três, o meu pai, a minha mãe e eu sentados à mesa do restaurante. Fiquei sozinho com o pensamento. 17 anos?! É muito longe...

À noite, a minha mãe conta como tentou deitar umas gotas no nariz, mas não percebeu que tinha de tirar a tampa. Jorrou líquido para todo o lado menos para o nariz.
Rimo-nos, mas pera lá... A minha mãe não fazia estas coisas quando eu era miúdo...

Que raio se passa?! Até há pouco, eu não ficava velho, simplesmente saía mais com os amigos. Os meus pais não ficavam velhos, simplesmente tinham mais cabelos brancos.
Agora, os meus pais são jovens velhinhos. Vejo-o claramente na forma como deixaram de discutir, como conhecem as horas dos medicamentos um do outro.
Agora, eu sou mais velho. Vejo-o claramente, na forma como, não querendo as responsabilidades de uma vida adulta, sei que me vou levantar cedo amanhã, sei que vou pensar porra! não posso faltar, não posso mandar à merda o emprego, e as merdas todas que vou aturar esta semana... não posso porque... porque simplesmente não posso.

17 anos... Juro que foi ontem que cantámos senhor condutor, ponha o pé no acelerador, a caminho de Fátima, e já lá vão 17 anos... Amanhã, não tarda nada, tou a pôr gotas no nariz sem tirar a tampa do frasco.
É uma cena assustadora, estar tudo ao virar da esquina...
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sexta-feira, março 23, 2007

Custo de Oportunidade

Recordo-me da minha primeira aula na Faculdade. Foi Introdução à Microeconomia. Nessa aula aprendemos um dos conceitos mais importantes na esfera da economia e da gestão. Um conceito que hoje revejo vezes sem conta quando calculo WACCs, Betas alavancados e Taxas Internas de Rentabilidade. O conceito de Custo de Oportunidade.
Custo de Oportunidade pode ser definido como o custo da melhor alternativa possível que se renuncia como resultado de uma escolha, ou seja é o valor da melhor alternativa a determinada acção ou projecto.

Explicando este conceito ao estilo da revista Maria: vamos supor que um rapaz que se chama, a título meramente hipotético, Cofrezinho, nos coloca a seguinte questão: “Devo começar a namorar?”.
Resposta do consultor sentimental economista:
“Cofrezinho, tens que ponderar quais as tuas alternativas, escolheres as melhores e comparares o que ganhas com cada uma (e obviamente o que perdes ao não escolher as outras).
A título (nada) arbitrário eu diria que és assumidamente bissexual. Neste contexto tens pelo menos 3 hipóteses, escolhes um rapaz, uma rapariga ou ficas sozinho.
Vamos esquecer a primeira porque ainda não te assumiste e eu sei de fonte fidedigna que os teus pais lêem o Blog e portanto é melhor esquecer esta hipotese.
Se escolheres ser heterosexual terás que ponderar com que rapariga terás alguma hipotese. Dando o benefício da dúvida consegues encontrar uma rapariga engraçada, boa, pessoa e com sérios atributos ao nivel emocional. Ela engraça contigo e vamos imaginar que ao jantar comeste sopa de pau de cabinda com canela o que a deixa impressionada e no dia seguinte pede-te em casamento. O que podes ganhar: companhia para deixares de ir ao cinema sozinho, uma apanha bolas (no ténis), dores de cabeça noite sim, noite não, 3 a 4 dias por mês de inferno na terra e sessões de compras de naprons no el corte que durarão 2 horas cada.
Terceira hipotese, ficas sozinho. Ganhas o direito de leres a playboy sem dares explicações, ver os jogos do benfica na sala com os pés em cima do cão de louça enquanto bebes uma mine pelo gargalo da garrafa, cantares quando te apetecer e convidares os amigos para um jogo de poquer.
O que deves escolher? Tens que ter em conta o custo de oportunidade e neste caso é bastante simples: come a sopa e torna-te heterosexual.
Porquê?
Tendo em conta que se decidires ficares com um homem, provavelmente não poderás falar de futebol, de gajas nem de carros porque convenhamos és gay, o outro é gay e pessoalmente não vejo o que podes ganhar nessa situação: Hipótese 1 arruamada.
O que significa que tens que ponderar qual é o teu custo entre perder uma rapariga engraçada e a liberdade enquanto homem independente.
Tendo em conta que mesmo que a última signifique o fim dos domingos na bola, jantares de batatas fritas com gelado e caramelo e andares nu pela casa, se deixares a segunda isso significará o fim de sexo à borla.”
Como lêem custo de oportunidade é um conceito importante que pode ser utilizado em escolhas importante do tipo: “A qual destas suecas me devo fazer?; Devo comprar super pop limão ou fairy essencia de Aloe Vera?” e outras questões filosóficas de importância extrema.

quarta-feira, março 21, 2007

Porque hoje é Dia Mundial da Poesia...

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errónea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.


Fernando Pessoa

segunda-feira, março 19, 2007

Uma Viagem no Tempo

Perdoem-me desde já a extensão do post (isto vai ter 8 fotos), mas acho que a importância histórica do que aqui se vai expor mais que a justifica.

Consegui apanhar, através do Arquivo Fotográfico da CML, alguns fascinantes registos visuais da história desse mítico local, pilar da sabedoria, que é o Colégio de Campolide, onde muitos de nós passámos 4 marcantes anos. E não resisti a partilhá-los com vocês, amigos e amigas. Ora então vamos a isso...

1. Isto aqui é Campolide em 1968, visto de Monsanto. Não consigo precisar exactamente de onde em Monsanto, mas talvez o Fisgas possa ajudar nesse ponto. Não há cá Twin Towers para ninguém. Lá ao fundo, repousa trnaquilo, o Colégio de Campolide, os seus torreões apontados ao céu, que nem dois braços agitados no ar como quem grita "Vinde a mim essas brilhantes mentes económicas do País! Vinde! Ou trinta!".


2. Aqui vemos o viaduto Calouste Gulbenkian em construção no ano de 1961. Trata-se de uma foto tirada em hora de ponta, como comprovam os 6 carros visíveis na imagem.



3. Esta é uma das minhas favoritas. A travessa Estevão Pinto, em 1969. E incrível!, tem um ar quase chique!!! Não se veem peças de automóvel, nem óleo na estrada, nem bodes atados com uma corda ao portão da garagem... Não fosse o torreão lá ao fundo e jamais acreditaria tratar-se da mesma travessa onde cheguei a ter de conter a respiração para não vomitar o pequeno-almoço à conta do cheiro a ovinos.



4 e 5. Duas fotos do início do século.



6. Esta é de 1905. Quase 100 anos antes de eu ter começado a dar tareões de ping-pong na malta aqui do blog, justamente ali naquele cantinho vazio à direita, que viria a ser a residência dos estudantes e a cantina dos pobres. E quase dá para comparar com a foto do template aqui do blog.



7. Uma visão frontal, de 1961. Delicioso, o pormenor do olival onde agora, durante o dia, se amontoam os carros estacionados, e durante a noite, casais apaixonados expressam o seu amor carnal.



8. E, para terminar, este bonito registo sem data. Terá sido por esta altura que se instaurou o hábito de deixar os animais ali na travessa. Há 100 anos, eram burros. Hoje em dia são bodes e cães. No futuro, a travessa Estevão Pinto poderá muito bem vir a albergar a sede da EMEL.

domingo, março 18, 2007

A Mini Maratona de Lisboa

Surpreende-me sempre perceber que existe vida num domingo de manhã. Surpreende-me a multidão de camisolas amarelas que, bem cedo, já aguarda em Entrecampos o comboio para a outra margem. Claro que daí a uma semana, aquela malta fica toda a dormir até às 11 da manhã, como é comum fazerem as pessoas comuns.

Surpreender-me-ia qualquer outra coisa, até porque pessoas comuns são toda aquela delirante multidão. Jamais faltam ao evento a mulherzinha que fala e ri mais alto que toda a carruagem, ruído do comboio incluído, ou o tipo dos trocadilhos, que, do Pragal a Belém, vai puxado o gatilho à esquerda e à direita bang bang: "E prontos, já chegámos à mini-maratona. Onde é que estão as minis?".

Tenho pena de só ter descoberto a mini-maratona de Lisboa no ano passado, e somente graças à insistência de um compincha blogger da casa. É que é uma cena do caraças, e este ano, com o tempo espectacular que esteve, ainda mais do caraças foi! Tenho pena que a malta amiga não tenha alinhado, e tenho pena de não ter feito amigos novos na prova.

Mas em sobre-humano esforço lá contive as chalaças que me ocorriam, e fiz os meus belos dos 45 minutos, que acho ser uma marca razoável, embora admita que nos últimos 3 quilómetros fui sovado e ultrapassado pela minha mente que, à sofrida passagem do meu corpo pelos postos de animação de rua, já se refastelava nos relvados de Belém, as bailarinas-animadoras a massagarem-lhe as pernas.

Gabo-me de ter terminado à frente de, entre outros, um padre pregador, duas noivas barbudas e barrigudas, a brigada dos Grandes Portugueses - onde seguiam, sob flashes, o D. Afonso Henriques e o Camões - um carrinho de compras do Continente com pessoas de Almada, e esta malta toda:


Para o ano lá estarei de novo, com uma importante lição aprendida de experiência: se tencionas levar telemóvel e máquina fotográfica nos bolsos - coisa que já de si não revela grande presença de espírito- então pelo menos, e pelo respeito aos restantes corredores, leva uns calções que se possam apertar. À falta de racionalismo, há que recorrer ao empirismo...