Acordei bem disposto como o dia. E foi-me familiar de outros inícios de Primavera aquele sentimento de paz com o mundo. Exacto... Tal e qual aquela manhã de Março a pé a caminho da faculdade.
E depois pensei em Maio: a feira do livro e o deslumbre, a cada ano que passa maior, com as mulheres de Lisboa em roupa de Verão.
E depois pensei em Agosto, a trabalhar a meio gás na cidade parada.
E depois pensei nas tardes de Domingos invernosos passadas no sofá.
Estranhei só agora ter clara esta ideia, porque - é uma cena esquisita, bem sei - desde que me lembro de conceber o ano, sempre ele teve, para mim, a forma de uma roda de bicicleta empenada, a pairar no vazio.O Janeiro paira abaixo e à direita de onde observo, e é o mês mais descido. Até ao princípio de Agosto o tempo está sempre a subir e a afastar-se. Agosto é um mês longo longo, que o obriga a correr depressa. E depois disso, o tempo chega-se outra vez a mim.
O tempo a andar à roda... Definitivamente, cena esquisita...





















