Um amigo meu, chamemo-lo Ermelindo Uzbeque - ou, abreviando, EU - arranjou, por portas travessas, que é como que dizer através de um amigo, o novo álbum de @ndrew bird: @rmch@ir @pocryph@. As arrobas são só para despistar autoridades, empenhadas que andam em apanhar os malvados meliantes que não respeitem a sagrada instituição do copyright, dedicando-se até, consta, a, durante as operações Stop, fazer buscas aos CD’s dos condutores. Não tivesse EU sabido disto através de uma cadeia de mails, daquelas em que as coisas acontecem sempre a um amigo, e estaria neste momento assustado.
Para os que não conhecem, EU descreveria @ndrew bird como música pop-folk-melódica, ou o que acontece quando se juntam voz, guitarra, xilofone, violino e assobio. @ndrew bird é reputado violinista e, facto curioso, assobiador. EU e amigos seus acham que o nome bird deriva justamente desse talento especial do artista.
EU familiarizou-se com @ndrew bird com o seu álbum de 2005, the misterious production of eggs – o seu (do EU) favorito dos últimos anos. Várias vezes conversou com amigos, defendendo ser impossível ao @ndrew bird ter feito ou alguma vez vir a fazer um álbum tão bom quanto esse. Tendo mais tarde ouvido os anteriores álbuns, quase engoliu as palavras. Esses também eram muito bons, ainda que não tanto quanto o “... Eggs”.
O novo álbum do @ndrew bird ainda não saíu oficialmente. Mas verteu para a net bem antes disso. EU é fã do @ndrew bird e é um tipo com valores. Daí que esteja incomodado com esta falha ética. Mas simplesmente não conseguiu contornar a curiosidade.
E o seu entusiasmo é agora grande. Não tendo acreditado que fosse possível @ndrew bird superar-se, depara-se com essa possibilidade... No @rmchair, diz haver duas ou três melodias que caem imediatamente no goto, mas também perceber que há jogo escondido. E que não é bluff. Que há música para descobrir aos poucos. Para se gostar com tempo. E isso é do melhor... Fica a referência. Diz EU.
ADENDA: o link para o myspace do senhor. Já lá estão algumas músicas novas.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Acabar com a abstenção
Um referendo importante para o país e para a sociedade civil aproxima-se! É nosso direito dever votar!
No meu ver seria muito simples diminuir a larga abstenção que se prespectiva, é só necessário colocar nas urnas a palavra: "GRATIS". Conhecendo um bocadinho os portugueses todos se acotovelavam para ir colocar o boletim.
E se a isso se somasse a distribuição de brindes como porta chaves ou canetas bic? Seria a loucura, muitas pessoas a quererem votar 2 ou 3 vezes. Na saída das urnas as palavras mais ouvidas seriam concerteza: "ah pois, mais uma bolacha sem sal aqui para o Chico" ou "Eu não sou burro, com uma cruzinha ganhei uma pastilha gorila, ahah".
Esta ideia surgiu do facto de ter assistido, às nove da manhã no Saldanha, a agressões verbais e tentativa de agressão física por parte de uma mulher que se sentiu insultado por um homem lhe ter passado à frente na fila que se formou para receber garrafas de água com gás!!!
Uma mulher!!! Água com gás!!! Ás nove da manhã!!!
No meu ver seria muito simples diminuir a larga abstenção que se prespectiva, é só necessário colocar nas urnas a palavra: "GRATIS". Conhecendo um bocadinho os portugueses todos se acotovelavam para ir colocar o boletim.
E se a isso se somasse a distribuição de brindes como porta chaves ou canetas bic? Seria a loucura, muitas pessoas a quererem votar 2 ou 3 vezes. Na saída das urnas as palavras mais ouvidas seriam concerteza: "ah pois, mais uma bolacha sem sal aqui para o Chico" ou "Eu não sou burro, com uma cruzinha ganhei uma pastilha gorila, ahah".
Esta ideia surgiu do facto de ter assistido, às nove da manhã no Saldanha, a agressões verbais e tentativa de agressão física por parte de uma mulher que se sentiu insultado por um homem lhe ter passado à frente na fila que se formou para receber garrafas de água com gás!!!
Uma mulher!!! Água com gás!!! Ás nove da manhã!!!
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Uma Amizade Especial
A verdadeira história de Charlie Murphy (irmão do Eddie) e Rick James ("she's a very kinky girl..."), contada no Chappelle Show:
PS - Obrigado Fisgas pela referência.
PS - Obrigado Fisgas pela referência.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Federer
Cada vez que vejo este senhor a jogar
Tenho a sensação que estou a assistir, em primeira mão, a alguém que vai mudar a história do Ténis.
Daqui a uns anos quem sabe se não vão começar a comparar os melhores do mundo com o Federer? Um pouco na óptica das pessoas que comparam qualquer futebolista com o Pelé, Maradona ou qualquer economista com o Lemmings.
Tenho pena que não exista ninguém à sua altura, porque se não tiver competição vai estagnar o que é uma pena.
Tenho a sensação que estou a assistir, em primeira mão, a alguém que vai mudar a história do Ténis.Daqui a uns anos quem sabe se não vão começar a comparar os melhores do mundo com o Federer? Um pouco na óptica das pessoas que comparam qualquer futebolista com o Pelé, Maradona ou qualquer economista com o Lemmings.
Tenho pena que não exista ninguém à sua altura, porque se não tiver competição vai estagnar o que é uma pena.
Uma Tolice Prestige
Uma tarde de Domingo passada no sofá a ver TV (sou-dade... ou não fosse esta mais uma deprimente manhã de segunda) consolidou a minha já anterior suspeita de que o novo anúncio do Millenium BCP é provavelmente o anúncio mais tolo actualmente na TV.
Um tipo do banco, cara-podre, penetra a meio da noite na festa de um aparente milionário, mandando o pianista parar de tocar, gerando um daqueles silêncios constrangedores, e interrompendo a conversa do milionário com as 4 ou 5 babes que o rodeiam. Gera-se de seguida um diálogo do tipo:
Milionário Rodeado de Babes - Porque é que interrompeu a minha festa?
Penetra - Para firmar um compromisso.
MRdB - E o que é que tem para me oferecer?
P - Ganha x, y, z e a melhor taxa do mercado.
MRdB - Muito bem, mas eu vou ficar também com esta caneta como sinal da sua palavra.
P - Será o símbolo do nosso compromisso.
Isto é assustadoramente tolo...
Para já, o que faz o gajo do banco a trabalhar àquelas horas?! Por acaso tem subsídio de isenção de horário? E interrompe assim uma festa privada?! Cum caraças... E como se não bastasse isso, ainda entra ali todo mandão com o pianista, tipo “Hey Max, pára com essa merda!”. Sacana arrogante...
Por fim, que dizer de um milionário que vive numa mansão, tem um pianista e uma casa cheia de babes, e dá o bafo numa caneta de um pobre empregado de banco?! Tenho 4 explicações possíveis:
- o pianista é amigo dele e a caneta foi a sua vingança, a sua forma de dizer “Hey, trataste mal o Max, agora xau-xau-pen”.
- o pai dele faz anos naquele dia e aquela é a sua festa, mas o milionário-filho esqueceu-se de comprar uma prenda para o pai, porque esteve o dia todo a entrevistar pianistas para a festa, e portanto fica todo contente quando lhe dão a caneta para a mão, porque assim só fica a faltar o papel de embrulho e o laçarote
- é empresário da Bic
- é um porco capitalista insensível, sem respeito pelos trabalhadores que dão o litro a toda a hora, inclusive fins-de-semana e feriados, sem receber um tostão de horas extra, e merecia mas é que o proletariado unido invadisse as suas fábricas com tractores, para nacionalizar toda a produção de canetas, e promover enfim a justiça e igualdade sociais, e eu espero bem que os meus bosses nunca leiam o que eu acabei de escrever...
Não que eu, Afonso Martim Lourenço Espírito Santo, tenha medo que descubram a minha identidade. É mesmo só uma questão de discrição...
Um tipo do banco, cara-podre, penetra a meio da noite na festa de um aparente milionário, mandando o pianista parar de tocar, gerando um daqueles silêncios constrangedores, e interrompendo a conversa do milionário com as 4 ou 5 babes que o rodeiam. Gera-se de seguida um diálogo do tipo:Milionário Rodeado de Babes - Porque é que interrompeu a minha festa?
Penetra - Para firmar um compromisso.
MRdB - E o que é que tem para me oferecer?
P - Ganha x, y, z e a melhor taxa do mercado.
MRdB - Muito bem, mas eu vou ficar também com esta caneta como sinal da sua palavra.
P - Será o símbolo do nosso compromisso.
Isto é assustadoramente tolo...
Para já, o que faz o gajo do banco a trabalhar àquelas horas?! Por acaso tem subsídio de isenção de horário? E interrompe assim uma festa privada?! Cum caraças... E como se não bastasse isso, ainda entra ali todo mandão com o pianista, tipo “Hey Max, pára com essa merda!”. Sacana arrogante...
Por fim, que dizer de um milionário que vive numa mansão, tem um pianista e uma casa cheia de babes, e dá o bafo numa caneta de um pobre empregado de banco?! Tenho 4 explicações possíveis:
- o pianista é amigo dele e a caneta foi a sua vingança, a sua forma de dizer “Hey, trataste mal o Max, agora xau-xau-pen”.
- o pai dele faz anos naquele dia e aquela é a sua festa, mas o milionário-filho esqueceu-se de comprar uma prenda para o pai, porque esteve o dia todo a entrevistar pianistas para a festa, e portanto fica todo contente quando lhe dão a caneta para a mão, porque assim só fica a faltar o papel de embrulho e o laçarote
- é empresário da Bic
- é um porco capitalista insensível, sem respeito pelos trabalhadores que dão o litro a toda a hora, inclusive fins-de-semana e feriados, sem receber um tostão de horas extra, e merecia mas é que o proletariado unido invadisse as suas fábricas com tractores, para nacionalizar toda a produção de canetas, e promover enfim a justiça e igualdade sociais, e eu espero bem que os meus bosses nunca leiam o que eu acabei de escrever...
Não que eu, Afonso Martim Lourenço Espírito Santo, tenha medo que descubram a minha identidade. É mesmo só uma questão de discrição...
domingo, fevereiro 04, 2007
O Duty Free é Internacional
Caros Amigos Bloguistas,
Regressado de Cabo Verde faz hoje 7 dias e meio, lembrei-me de vos mostrar como se vende lá fora.
A imagem que mostro a seguir foi retirada do Aeroporto Internacional da Cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde, e demonstra o explendor das lojas de Duty Free locais...
Regressado de Cabo Verde faz hoje 7 dias e meio, lembrei-me de vos mostrar como se vende lá fora.
A imagem que mostro a seguir foi retirada do Aeroporto Internacional da Cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde, e demonstra o explendor das lojas de Duty Free locais...
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Minesweeper e a Vida
(vai soar um pouco à Forrest Gump...)
A vida é como o minesweeper.
Não sabes onde estão as bombas.
Não é por imaginares uma bomba aqui, que ela cá está de facto.
Não é por imaginares que não há bomba ali, que ela não vai mesmo lá estar.
Como na vida, para o mesmo jogo, há os que ficam com o jogo aberto ao primeiro click...
A vida é como o minesweeper.
Não sabes onde estão as bombas.
Não é por imaginares uma bomba aqui, que ela cá está de facto.
Não é por imaginares que não há bomba ali, que ela não vai mesmo lá estar.
Como na vida, para o mesmo jogo, há os que ficam com o jogo aberto ao primeiro click...
... há os que se esfolam para abrir o jogo e não conseguem nada...
... e há os que, mais ou menos depressa, chegam ao fim, só para perceber que tudo se resume a uma questão de sorte. 
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Ideias atiradas para o blog em 5 minutos:
Não entendo como é que na lista dos 10 Grandes Portugueses não se encontram os nomes de: D. Nuno Alvares Pereira, Salgueiro Maia, D. João I e D. Dinis entre tantos outros (provavelmente mais de 10).
Apesar de ter na altura a tenra idade de 8 anos, o Nevermind dos Nirvana é um dos álbuns da minha juventude. Reouvi à dias esse mítico pedaço de bom gosto e a verdade é que com o tempo o álbum não perdeu toda a sua energia, feeling e irreverência. O Kurt percebia mesmo muito de música!
Lanço um “suponhamos”: “Se recuasses no tempo e tivesses o poder de impedir o nascimento do Hitler, Mussulini, Estaline e Pol Pot, mas como consequência também de Ghandi, Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King e Nelson Mandela (indissociáveis), o que farias?”
Apesar de ter na altura a tenra idade de 8 anos, o Nevermind dos Nirvana é um dos álbuns da minha juventude. Reouvi à dias esse mítico pedaço de bom gosto e a verdade é que com o tempo o álbum não perdeu toda a sua energia, feeling e irreverência. O Kurt percebia mesmo muito de música!
Lanço um “suponhamos”: “Se recuasses no tempo e tivesses o poder de impedir o nascimento do Hitler, Mussulini, Estaline e Pol Pot, mas como consequência também de Ghandi, Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King e Nelson Mandela (indissociáveis), o que farias?”
3 Coisas Tugas
Parece ter definitivamente pegado moda eleger os maiores, melhores e mais bonitos. Ocorre-me isto a propósito das votações para melhor Português, para as novas 7 maravilhas do Mundo e para as 7 maravilhas de Portugal.
Por não querer perder a oportunidade de mandar a minha posta de pescada, e aproveitando o embalo da adesão esta manhã ao novo blogger, decidi também eu eleger qualquer coisa, e, como tal, aqui deixarei 3 DAS MUITAS COISAS QUE ASSOCIO A PORTUGAL, NÃO NECESSARIAMENTE AS MELHORES:
1. A Calçada Portuguesa
Aos meus olhos, torna diferente a cidade. Os passeios são brancos. Pormenor talvez. Mas agradável nos dias de Primavera em que a cidade parece brilhar. E no fim do Outono, quando os passeios se enchem de folhas caídas das árvores.
Por outro lado, quando chove e os sapatos têm a sola meio gasta, é andar a patinar na rua, com uma mão a segurar o chapéu-de-chuva e a outra a apontar para Deus, enquanto se murmura "Passo de agnóstico a ateu se me derrubas em frente a esta gente toda!"
2. Caracóis
Haverá melhor que um solarengo final de tarde do mês de Junho, passado numa esplanada de uma qualquer terreola, com um pires de caracóis no meio de uma roda de convivas? Completam a pintura os ruídos sorvedores do molho dos caracóis que não saíram para fora e invariavelmente sobram para o fim, e os guardanapos amarfanhados em cima da mesa redonda forrada com imitação de mármore.
3. O Nacional Porreirismo
Ora aqui está, penso, o melhor e o pior do País.
É o bófia da santa terrinha que pratica copofonia nos intervalos dos turnos, patrulha as ruas com o nariz vermelho e nunca multa os conterrâneos.
É preencher os impressos do IRS no último dia do prazo e ao meio-dia o Governo anunciar uma prorrogação de duas semanas, ao mesmo tempo que prometemos a nós mesmos que no ano seguinte trataremos de tudo no dia 1 de Fevereiro.
É combinar um jantar com os amigos para as 9 da noite, marcar o restaurante para as 9 e meia, e a malta aparecer toda às 10.
Enfim, somos nós na nossa mais verdadeira identidade nacional...
Por não querer perder a oportunidade de mandar a minha posta de pescada, e aproveitando o embalo da adesão esta manhã ao novo blogger, decidi também eu eleger qualquer coisa, e, como tal, aqui deixarei 3 DAS MUITAS COISAS QUE ASSOCIO A PORTUGAL, NÃO NECESSARIAMENTE AS MELHORES:
1. A Calçada Portuguesa

Aos meus olhos, torna diferente a cidade. Os passeios são brancos. Pormenor talvez. Mas agradável nos dias de Primavera em que a cidade parece brilhar. E no fim do Outono, quando os passeios se enchem de folhas caídas das árvores.
Por outro lado, quando chove e os sapatos têm a sola meio gasta, é andar a patinar na rua, com uma mão a segurar o chapéu-de-chuva e a outra a apontar para Deus, enquanto se murmura "Passo de agnóstico a ateu se me derrubas em frente a esta gente toda!"
2. Caracóis

Haverá melhor que um solarengo final de tarde do mês de Junho, passado numa esplanada de uma qualquer terreola, com um pires de caracóis no meio de uma roda de convivas? Completam a pintura os ruídos sorvedores do molho dos caracóis que não saíram para fora e invariavelmente sobram para o fim, e os guardanapos amarfanhados em cima da mesa redonda forrada com imitação de mármore.
3. O Nacional Porreirismo

Ora aqui está, penso, o melhor e o pior do País.
É o bófia da santa terrinha que pratica copofonia nos intervalos dos turnos, patrulha as ruas com o nariz vermelho e nunca multa os conterrâneos.
É preencher os impressos do IRS no último dia do prazo e ao meio-dia o Governo anunciar uma prorrogação de duas semanas, ao mesmo tempo que prometemos a nós mesmos que no ano seguinte trataremos de tudo no dia 1 de Fevereiro.
É combinar um jantar com os amigos para as 9 da noite, marcar o restaurante para as 9 e meia, e a malta aparecer toda às 10.
Enfim, somos nós na nossa mais verdadeira identidade nacional...
terça-feira, janeiro 30, 2007
Howe Gelb

Quem deseja ir hoje ao Santiago Alquimista, pelas 21:45, ver Dead Combo - autores do muy aclamado Volume II: Quando a alma não é pequena - e o grandioso Howe Gelb - autor do belo Sno Angel Like You. A entrada custa 15€. Este vosso amigo vai, fico à espera de mais convivas...
domingo, janeiro 28, 2007
Pessoas, Música, Paixões
Vou percebendo que duas das coisas de que mais gosto na vida são pessoas e música. Estranho talvez, quando escritas assim lado a lado, mas encontro aqui um certo sentido reconfortante. Na verdade, há para mim bastantes semelhanças. São marcas na vida.
De pessoas não me sinto especialmente habilitado para escrever. Não que de música o seja, mas sempre resultam menos presunçosos e arriscados os bitaites nesse campo. Seja como for, as semelhanças aqui estarão.
Não sou dado a rótulos, mas distingo no caso diferentes tipos de música, e, algures entre o que não presta, o que não se gosta, o que não se compreende, o que se adora num primeiro contacto mas depois não tem mais nada a dar, e tantos outros, considero melhor que todos o que primeiro se estranha e depois se entranha.
Acredito que as músicas que ficam para sempre são aquelas que nos causam uma certa primeira impressão de estranheza, que desafiam os conceitos que tomamos por certos, que nos moldam nem que seja um pouco. E um dia, enquanto conduzimos a caminho do El Corte porque lá combinámos um cinema com os amigos, damos por nós parados no semáforo ao pé da Mesquita, a garganta a falhar de tanto gritar, o carro mais parece o Musicais numa sexta à noite, e aí pensamos "Fonix, esta merda é tão linda e nunca me tinha apercebido...". E a partir desse momento, essa música nunca mais nos deixa. Nunca mais...
De pessoas não me sinto especialmente habilitado para escrever. Não que de música o seja, mas sempre resultam menos presunçosos e arriscados os bitaites nesse campo. Seja como for, as semelhanças aqui estarão.
Não sou dado a rótulos, mas distingo no caso diferentes tipos de música, e, algures entre o que não presta, o que não se gosta, o que não se compreende, o que se adora num primeiro contacto mas depois não tem mais nada a dar, e tantos outros, considero melhor que todos o que primeiro se estranha e depois se entranha.
Acredito que as músicas que ficam para sempre são aquelas que nos causam uma certa primeira impressão de estranheza, que desafiam os conceitos que tomamos por certos, que nos moldam nem que seja um pouco. E um dia, enquanto conduzimos a caminho do El Corte porque lá combinámos um cinema com os amigos, damos por nós parados no semáforo ao pé da Mesquita, a garganta a falhar de tanto gritar, o carro mais parece o Musicais numa sexta à noite, e aí pensamos "Fonix, esta merda é tão linda e nunca me tinha apercebido...". E a partir desse momento, essa música nunca mais nos deixa. Nunca mais...
sábado, janeiro 27, 2007
Cu - Cu
De ontem para hoje sonhei que estava num funeral, numa noite de chuva, à beira do mar, que deixei a meio para ir até a um bar que havia ali pelas redondezas, beber um copo e discutir o sentido da vida. Eu e o Will Smith.
Pouco tempo depois, parou à porta do bar um carro conduzido pelo Muhammad Ali, que vinha acompanhado pela mulher do Will Smith, com quem, fiquei com a sensação, ele andava a ter um caso. Eu e o Will Smith entrámos no carro, houve ali uma troca de insultos entre o Will e o Muhammad (tratamento informal, bem sei, mas bolas!, pelos vistos eram meus amigos...), após o que o Muhammad disse que nos ia levar para a América. Ri-me e comecei a cantar "Sitting on the dock of the bay...". O Will e a mulher juntaram-se-me (não percebo como, porque eu nem sei o resto da letra, mas suponho que tenha sido uma daquelas cantorias improvisadas, género "Sitting on the dock of the bay... Ala iara nana deco day...").
A música acabou entretanto, e à falta de melhor entretenimento num carro com quatro pessoas a caminho da América, comecei a dizer ao Muhammad que ele podia até ter sido muito bom lutador, mas era um arrogante vaidoso que não sabia o significado da palavra humildade. (eu nos sonhos sou corajoso, caramba!) O Muhammad parou o carro, pôs-me na rua e disse-me qualquer coisa como "Eu não sei o que é humildade, mas tu vais ficar a apanhar humidade" (quem me manda meter-me com poetas...). E foi à chuva que fiz o caminho de volta para o funeral...
Felizmente para mim, o Muhammad tinha parado o carro ali ao pé dos bombeiros do Cacém, por isso, pelo menos, não estava perdido.
Pouco tempo depois, parou à porta do bar um carro conduzido pelo Muhammad Ali, que vinha acompanhado pela mulher do Will Smith, com quem, fiquei com a sensação, ele andava a ter um caso. Eu e o Will Smith entrámos no carro, houve ali uma troca de insultos entre o Will e o Muhammad (tratamento informal, bem sei, mas bolas!, pelos vistos eram meus amigos...), após o que o Muhammad disse que nos ia levar para a América. Ri-me e comecei a cantar "Sitting on the dock of the bay...". O Will e a mulher juntaram-se-me (não percebo como, porque eu nem sei o resto da letra, mas suponho que tenha sido uma daquelas cantorias improvisadas, género "Sitting on the dock of the bay... Ala iara nana deco day...").
A música acabou entretanto, e à falta de melhor entretenimento num carro com quatro pessoas a caminho da América, comecei a dizer ao Muhammad que ele podia até ter sido muito bom lutador, mas era um arrogante vaidoso que não sabia o significado da palavra humildade. (eu nos sonhos sou corajoso, caramba!) O Muhammad parou o carro, pôs-me na rua e disse-me qualquer coisa como "Eu não sei o que é humildade, mas tu vais ficar a apanhar humidade" (quem me manda meter-me com poetas...). E foi à chuva que fiz o caminho de volta para o funeral...
Felizmente para mim, o Muhammad tinha parado o carro ali ao pé dos bombeiros do Cacém, por isso, pelo menos, não estava perdido.
terça-feira, janeiro 23, 2007
O Estranho Mundo da Bola
Com alguma brevidade, pois sinto no ar as ansiosas vibrações dos nervos ciáticos de 2 dos meus bosses, aqui ficam duas pérolas da actualidade desportiva do dia (cortesia da Linha Avançada da Antena 3):
- Élton Cale, jogador do São Bento (Brasil) comemorou um golo com um beijo na boca do irmão. Depois de questionado sobre o assunto, acabou por confessar que lá em casa todos se beijam na boca. E pensar que fiquei indignado quando, certa vez, um jogador da equipa adversária me deu um tapinha...
- Glenn Johnson, defesa do Portsmouth foi apanhado a roubar um tampo de sanita. Ainda assim, parece que se escapou da prisão e terá apenas de pagar uma multa. Fica provado que é cagão.
- Élton Cale, jogador do São Bento (Brasil) comemorou um golo com um beijo na boca do irmão. Depois de questionado sobre o assunto, acabou por confessar que lá em casa todos se beijam na boca. E pensar que fiquei indignado quando, certa vez, um jogador da equipa adversária me deu um tapinha...
- Glenn Johnson, defesa do Portsmouth foi apanhado a roubar um tampo de sanita. Ainda assim, parece que se escapou da prisão e terá apenas de pagar uma multa. Fica provado que é cagão.
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Alegria no Trabalho
Deambulava eu, num destes dias, pelos corredores aqui do edifício, quando passei pela porta entreaberta de um escritório em obras, onde os pedreiros, enquanto trabalhavam, cantavam em coro a música do genérico do Marco. Vocês sabem... Aquela do:
"Vais-te embora mamã?
Não me deixes aqui.
Adeus mamã.
Pensaremos em ti."
Naquele breve e ridículo instante, senti uma iluminação. Sim, as luzes do hall do casa-de-banho são sensíveis ao movimento, mas eu senti uma outra iluminação. Uma iluminação interior . Ganhei clara consciência da infelicidade grupal que reina na minha sala de trabalho. Será que algum dia este departamento fará uma pausa nos duplo-clicks, dará as mãos e levantará as suas vozes em coro para cantar o genérico do Dartacão?
"Vais-te embora mamã?
Não me deixes aqui.
Adeus mamã.
Pensaremos em ti."
Naquele breve e ridículo instante, senti uma iluminação. Sim, as luzes do hall do casa-de-banho são sensíveis ao movimento, mas eu senti uma outra iluminação. Uma iluminação interior . Ganhei clara consciência da infelicidade grupal que reina na minha sala de trabalho. Será que algum dia este departamento fará uma pausa nos duplo-clicks, dará as mãos e levantará as suas vozes em coro para cantar o genérico do Dartacão?
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Jorge Palma: o poeta cantor
Há dias em que só o grande trovador moderno me percebe. Mais vale aumentar o volume da música que meter-me nos copos.
Só
Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
Só por ter dois sóis
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
E chamei casa a esse lugar
E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão
Só por inventar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
E deixo o tempo decidir
E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão
Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
Eu sei que nenhuma vai ganhar
Letra / Música: Jorge Palma
terça-feira, janeiro 16, 2007
Não me interpretem mal: a Dona Silvina é boa gente
Há não muitos meses, a minha mãe optou por se poupar - a ela e à famelga - às tarefas semanais de limpeza doméstica. Contratou a Dona Silvina. (Sinto-me seguro. Não me parece que a Dona Silvina veja uso num router além do de suporte para partículas de pó). Tendo carregado nos ombros, durante generosa parte da minha jovem vida, o peso da responsabilidade de limpar o meu quarto, sinto agora uns simpáticos alívio e bem-estar com as horas, ainda que poucas, que a Dona Silvina me liberta nos fins-de-semana.
Todavia, não sei evitar o desconforto de saber desafiada, todos os sábados, a invisível ordem subjacente ao caos que, aparentemente, reina nos meus livros e facturas e CD's e meias e cartas do banco e pilhas gastas. Não me agrada ouvir "a Dona Silvina encontrou isto debaixo da cama e não soube o que lhe fazer" (diz-me a minha mãe enquanto me apresenta a mola da roupa enrolada em plástico de embrulhar sandes, que carreguei no meu estojo desde o 7º ano até ao último exame da faculdade), quando sei perfeitamente que aquilo (a mola) estava guardado numa qualquer gaveta. Ou talvez dentro de um estojo, o qual está, por sua vez, arrumado numa qualquer gaveta ou prateleira da escrivaninha, da mesa do computador, ou eventualmente, mas com menor probabilidade, da mesa de cabeceira!
Porque raio foi a Dona Silvina desarrumar a mola?!
Como se isso não bastasse, a Dona Silvina faz-me a cama. Fá-la provavelmente com a arrogância e a auto-confiança de quem faz camas há 40 anos, ingénua na ignorância de andar a fazer a cama ao mestre. Nesta matéria sou exigente. Daí que me aborreça acordar às 2h30 am, cheio de sede e a transpirar, querer baixar um dos cobertores e não conseguir por ter a Dona Silvina deixado os cobertores entre os lençóis e o edredón... Até tenho bom acordar, mas, bolas!, levantar-me a meio da noite para refazer uma cama, opá!, deixou-me a murmurar palavras que não vêm no dicionário...
Todavia, não sei evitar o desconforto de saber desafiada, todos os sábados, a invisível ordem subjacente ao caos que, aparentemente, reina nos meus livros e facturas e CD's e meias e cartas do banco e pilhas gastas. Não me agrada ouvir "a Dona Silvina encontrou isto debaixo da cama e não soube o que lhe fazer" (diz-me a minha mãe enquanto me apresenta a mola da roupa enrolada em plástico de embrulhar sandes, que carreguei no meu estojo desde o 7º ano até ao último exame da faculdade), quando sei perfeitamente que aquilo (a mola) estava guardado numa qualquer gaveta. Ou talvez dentro de um estojo, o qual está, por sua vez, arrumado numa qualquer gaveta ou prateleira da escrivaninha, da mesa do computador, ou eventualmente, mas com menor probabilidade, da mesa de cabeceira!
Porque raio foi a Dona Silvina desarrumar a mola?!
Como se isso não bastasse, a Dona Silvina faz-me a cama. Fá-la provavelmente com a arrogância e a auto-confiança de quem faz camas há 40 anos, ingénua na ignorância de andar a fazer a cama ao mestre. Nesta matéria sou exigente. Daí que me aborreça acordar às 2h30 am, cheio de sede e a transpirar, querer baixar um dos cobertores e não conseguir por ter a Dona Silvina deixado os cobertores entre os lençóis e o edredón... Até tenho bom acordar, mas, bolas!, levantar-me a meio da noite para refazer uma cama, opá!, deixou-me a murmurar palavras que não vêm no dicionário...
Breves Notas Sobre Não Muita Coisa
Ontem foi um bom dia de trabalho. Finalmente consegui desminar completamente um campo difícil no Minesweeper do meu telemóvel, e em apenas 14 minutos.
Como pôde o Babel ganhar o Globo de Ouro para melhor filme dramático?! Embora este tipo de reconhecimentos tenha deixado de me fazer confusão há já alguns anos, vou ali e já volto se este é o melhor filme de 2006! Match Point e Little Miss Sunshine, sem serem do outro mundo, dão dez a zero.
E por escrever dez, sobre os dez maiores portugueses apenas me ocorre lamentar a presença do Salazar - parece haver pouca memória - e a ausência do Fernando Pessoa. Alcoólico, introvertido, depressivo, esquizofrénico? Talvez... Mas com um daqueles desconcertantes talentos para usar as palavras certas no sítio certo. Tivesse ele juntado a esse os talentos de brigão, mulherengo, habitante de uma gruta, com um olho perdido em combate e um manuscrito salvo a nado durante um naufrágio, e teríamos encontrado o justo vencedor desta brincadeira...
ERRATA (que nome infeliz...) - Parece que o Fernando Pessoa sempre está incluído nos 10 melhores portugueses. Erro meu... Fico contente com esta inclusão. Que melhor representante para a nostálgica e soturna alma nacional?
Como pôde o Babel ganhar o Globo de Ouro para melhor filme dramático?! Embora este tipo de reconhecimentos tenha deixado de me fazer confusão há já alguns anos, vou ali e já volto se este é o melhor filme de 2006! Match Point e Little Miss Sunshine, sem serem do outro mundo, dão dez a zero.
E por escrever dez, sobre os dez maiores portugueses apenas me ocorre lamentar a presença do Salazar - parece haver pouca memória - e a ausência do Fernando Pessoa. Alcoólico, introvertido, depressivo, esquizofrénico? Talvez... Mas com um daqueles desconcertantes talentos para usar as palavras certas no sítio certo. Tivesse ele juntado a esse os talentos de brigão, mulherengo, habitante de uma gruta, com um olho perdido em combate e um manuscrito salvo a nado durante um naufrágio, e teríamos encontrado o justo vencedor desta brincadeira...
ERRATA (que nome infeliz...) - Parece que o Fernando Pessoa sempre está incluído nos 10 melhores portugueses. Erro meu... Fico contente com esta inclusão. Que melhor representante para a nostálgica e soturna alma nacional?
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Convocatória
domingo, janeiro 14, 2007
Receita Para Vegetais
Ingredientes:
Numa tarde de Domnigo, entre na sala abrigada da luz e do ruído, ligue a televisão na RTP 1, reduza o volume ao mais baixo nível audível e pouse o controlo remoto no chão junto ao sofá.
Forre as extremidades do sofá com as almofadas e deposite nele o trabalhador saturado de patrões e com a morna a bater depois de um farto almoço domingueiro. Por fim, acrescente o topping de cobertor.
Deixe os ingredientes repousar durante alguns minutos, até que se inicie o primeiro episódio da tarde de Prison Break, e assim se atinja o estado de abre-a-pestana-fecha-a-pestana.
Aguarde até ao final da primeira parte do episódio e pressione então a tecla mute no controlo remoto. Parabéns, o seu trabalhador saturado de patrões e com a morna a bater depois de um farto almoço domingueiro é agora um vegetal!
- tarde de domingo: uma unidade de
- trabalhador saturado de patrões e com a morna a bater depois de um farto almoço domingueiro: uma unidade de
- sala abrigada da luz e do ruído: uma unidade de
- sofá: uma unidade de
- telemóvel: 1 unidade de
- televisão com controlo remoto: uma unidade de
- almofadas: qb
- cobertor: quatro metros quadrados de
- tecla mute: uma unidade de
Numa tarde de Domnigo, entre na sala abrigada da luz e do ruído, ligue a televisão na RTP 1, reduza o volume ao mais baixo nível audível e pouse o controlo remoto no chão junto ao sofá.
Forre as extremidades do sofá com as almofadas e deposite nele o trabalhador saturado de patrões e com a morna a bater depois de um farto almoço domingueiro. Por fim, acrescente o topping de cobertor.
Deixe os ingredientes repousar durante alguns minutos, até que se inicie o primeiro episódio da tarde de Prison Break, e assim se atinja o estado de abre-a-pestana-fecha-a-pestana.
Aguarde até ao final da primeira parte do episódio e pressione então a tecla mute no controlo remoto. Parabéns, o seu trabalhador saturado de patrões e com a morna a bater depois de um farto almoço domingueiro é agora um vegetal!
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