
Os pensamentos livres de um grupo de economistas com ligações sentimentais ao Colégio de Campolide e respectivas, por ordem de importância, cantinas e mesas de ping-pong e matrecos
«Do not follow where the path may lead. Go, instead where there is no path and leave a trail.»
Robert Frost
«Vem por aqui» – dizem-me alguns com os olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: «vem por aqui»!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha Mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: «vem por aqui»?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: «vem por aqui»!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
– Sei que não vou por aí!
José Régio
Os barbeiros são imprudentes. Não têm intuição económica, cortam sempre demasiado. São intransigentes e burros. Aspiro encontrar o Jorge Palma dos barbeiros. Alguém que use a política do “está a andar!” Duas tesouradas e ponha-se daqui para fora! Os barbeiros são uns sentimentalistas, pensam ininterruptamente que estão a criar arte. Tudo tem de ser simétrico. Corta-se sempre mais um bocadinho. São uns desvirtuosos!
Os barbeiros são assassinos. Ceifam o cabelo, moem o juízo, aniquilam a boa-fé do Homem e delapidam as nossas fragilizadas carteiras, devastando, em escassos minutos, o fruto de três meses de espera. São uns bárbaros torcionários!
Ainda não vi um barbeiro sem um desagradável problema estrutural. Ou são carecas ou são maricas. No fundo, os sacanas são invejosos. Invejosos e maquiavélicos, devem ter planificado a harmonização das restantes cabeleiras da humanidade, com base nas suas horrendas imagens. Pérfidos, manhosos e miseráveis!
E no fim ainda perguntam se está bom. Cínicos! Claro que está bom, eles só largam a tesoura para pegar na navalha. Nunca há audácia para dizer que está horrível, nem para sair sem pagar.
Temo que só ganhe coragem daqui a meio século. Quando a altura chegar, mesmo que não tenha grande cabelo, tenciono refilar na mesma. A verdadeira rebeldia só aparece na velhice. “Os velhos sabem que vão morrer e já não querem saber de nada”.
O Natal, mais que um feriado onde se saboreia as tradicionais iguarias, como os sonhos, as filhoses ou as rabanadas, e se troca umas prendas mais ou menos merecidas, deverá ser um momento de introspecção, de solidariedade e de uma maior união, entre famílias, amigos e povos, que possibilita uma maior disseminação da alegria e do amor.
Assim, desejo a todos os membros do Blog, aos mirones do Blog (os que vão lendo as nossas humildes palavras, sem se dignarem a comentá-las), ao Mundo em geral e aos cristãos em particular, um santo e feliz Natal!
Os jornalistas devem andar, seguramente, de cabeça perdida... Os sanguessugas da informação barata não têm mãos a medir, pois aos escândalos do costume sobre a nossa peculiar sociedade acrescenta-se, ultimamente, as recorrentes maluquices da política.
Não querendo entrar no campo dos comentários políticos, pois já há demasiados indivíduos que o fazem, parece-me que as caricatas situações de dois senhores, que roçaram o ridículo e o vergonhoso, merecem ser comentadas. De quando em vez, a política merece voltar a ser fortemente vergastada!
Um Presidente pergunta a meio mundo se gostaria de ir a eleições ou apostar num tal senhor, que nunca tinha provado fazer nada de jeito, para governar um país. Decide apostar. Muda de gravata, muda de ideias. Chora um bocadinho, dá uma gargalhada. Mostra-se apreensivo. Dissolve a AR. Mostra-se muito apreensivo...
Um senhor que aceita a pasta de Primeiro-Ministro e insulta aqueles que no passado se demitiram. Elogia o Presidente. É notificado da dissolução da AR. Chora, também, um bocadinho. Respeita o Presidente. Continua firme, ao contrário de outros no passado. Demite-se. Insulta o Presidente. Demonstra claros sinais da síndroma do estou-tão-louco-que-penso-que-vou-ganhar-as-eleições.
Esta profunda instabilidade é altamente catastrófica, pois irá afectar os meus jantares até ao fim de Fevereiro, devido à incompetência (ou, no mínimo, falta de imaginação e bom senso) daquela malta, vulgo jornalistas, que costuma aparecer nos telejornais. Existem também alguns efeitos económicos e sociais, mas esses não costumam ser levados em conta, excepto na fase da caça-ao-voto, em que lastimavelmente nos preparamos para entrar.