Balanço do mês. Em termos financeiros, não estou rico, mas podia estar bem pior. Em relação a relações amorosas não foi um mar de rosa, mas também não foi uma travessia no deserto. Falando em termos desportivos, não fui campeão Universal de futebol, mas também não fui o sporting. Conclusões: não disse nada. Escrevi um amontoado de palavras mas não exprimi nada de consistente. Já repararam que nos dias que correm 90% das conversas assentam nesta base. Falamos mas não trocamos opiniões ou se o fazemos, não estamos inteiramente convictos do que dizemos e não raras vezes, momentos mais tarde contradizemo-nos. Quando estamos entre amigo e podíamos discutir assuntos interessantes o que é que fazemos? Falamos de banalidades, dizemos umas coisas que ouvimos em algum lado. Não temos uma opinião inteiramente fundamentada sobre quase nada. E porquê? O ritmo de vida é extremamente elevado e não temos tempo para parar e pensar. Estamos sempre ocupados a fazer qualquer coisa. A sociedade condicionou-nos nesse sentido. Entretenimento: coisas que nos ocupam e nos retiram a possibilidade de pensar. Vivemos tão emaranhados nesta teia que nem nos damos conta disso. Quando tivermos tempo para parar e pensar, estamos velhos e fomos tarde demais. Acredito que era fundamental reuniões em tertúlias onde estivéssemos totalmente livres de condicionalismos e exprimissemos os nossos pontos de vista, por muito contraditórios que sejam. Aliás o contraditório é essencial. Discutir opiniões e confrontar argumentos é a melhor forma de aprendizagem e pelo menos fazia-nos pensar. Claro que não nego que a televisão, cinema, música...são muito importantes e ajudam-nos a relaxar e descontrair, desde que em doses razoáveis.
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1 comentário:
Ó meu amigo...
No meio de tantos posts...
O único que consigo comentar porque estou realmente com pouco tempo (o ritmo de vida é extremamente elevado e não temos tempo para parar e pensar e tal...) é este...
Até porque os outros posts necessitam de uma reflexão profundíssima...
Então aqui vai:
"Entretenimento: coisas que nos ocupam e nos retiram a possibilidade de pensar"
Parece-me que neste caso tens razão. Como tu dizes: "Passo dias sentado no sofá a ver futebol". Eu também ficaria sem possibilidade de pensar...
Agora a sério... O entretenimento não tira a ninguém a possibilidade de pensar... Depende muito do conceito de entretenimento.
Outra coisita:
"Acredito que era fundamental reuniões em tertúlias onde estivéssemos totalmente livres de condicionalismos e exprimissemos os nossos pontos de vista, por muito contraditórios que sejam."
Eu na minha modéstia opinião acredito que não existem tertúlias onde predomine muito a censura... Acho eu... Se um individuo se dirige a uma tertúlia, é porque conhece e tem alguma familiaridade, ou com o tema ou com as pessoas que compõem essa tertúlia. Sendo assim não entendo... Onde param os condicionalismos? Em principio todos temos liberdade para nos exprimirmos... Se não o fazemos ou é porque não temos coragem para o fazer... Ou então para depois o assumir... Ou é porque achamos que o que temos para dizer não é assim tão importante... E sendo assim o problema é nosso e não dos condicionalismos... A não ser que sejam condicionalismos do tipo.... físico... sei lá... Há pessoal que só consegue falar de Kant num certo ambiente... ou na sua cadeira de estimação. Se forem esse tipo de condicionalismos eu acredito que seja dificil de facto reunir o pessoal e falar de coisas profundas... "Opá não consigo alex, não tenho aqui a minha cadeira pensante..." ou então "Faltam-me os incensos..."...
Assim é dificil...
Essa da travessia no deserto é que eu gostaria de ver mais esclarecida...
Ju
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